Região Norte tem mais que o dobro de desnutrição do Sul, segundo o IBGE

Instituto pesou e mediu moradores de 60 mil domicílios; déficit de altura foi maior entre meninos

Agência Brasil

27 de agosto de 2010 | 18h25

RIO DE JANEIRO - O Brasil ainda não conseguiu acabar com a desnutrição de crianças até 5 anos, embora o problema esteja diminuindo no País, destaca a Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta sexta-feira, 27.

De acordo com o levantamento, que pesou e mediu moradores de 60 mil domicílios, o déficit de altura em crianças menores de 5 anos de idade, um dos indicadores da desnutrição, foi de 6,3% entre os meninos e de 5,7% entre as meninas, sendo maior no primeiro ano de vida.

O problema do déficit de altura está concentrado na Região Norte (8,5%) e Nordeste (5,9%) e em famílias com os menores rendimentos. Entre os grupos com renda igual ou inferior a um quarto de salário mínimo, é de 8,2%, mas persiste em famílias com ganhos superiores a cinco salários (3,1%). Na Região Sul, o índice é de 3,9%; no Sudeste, 6,1%; e no Centro-Oeste, 6,1%.

A pesquisa destaca, no entanto, que a desnutrição está em queda desde a década de 1980. O porcentual de déficit de altura de crianças entre 5 a 9 anos é de 7,2% entre os meninos e de 6,3% entre as meninas, menor que os índices de 1974 e 1989, quando foram registrados 29,3% e 14,7%, respectivamente, entre os meninos. Entre as meninas, os índices eram de 26,7% e 12,6%.

Entre os adultos, chama atenção o porcentual de 5,5% de déficit de peso de mulheres da região rural do Nordeste, de 8,3% entre as mulheres na faixa dos 20 a 24 anos, de 5,4% entre aquelas com mais de 75 anos, e de 5,7% entre as de menor renda. Todos esses quadros também podem ser classificados como desnutrição.

"A questão da desnutrição vem se reduzindo. Mas está coerente com outros estudos feito no País, tanto em termos da análise de idade entre os pequenos, com menos de 5 anos, quanto em déficit de peso nas outras populações por faixa etária", afirmou a pesquisadora do IBGE, Marcia Quinstlr.

Segundo o documento, a melhoria do quadro reflete incremento do poder aquisitivo das famílias de menor renda, da escolaridade das mães e da cobertura de serviços básico de saúde, conforme constatou a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).

A pesquisa ainda chama atenção para o porcentual de crianças entre 5 a 9 anos com excesso de peso ou obesas, 33,5% e 14,3% do total, respectivamente, que estão, em sua maioria, na Região Sudeste. O déficit de altura nessa idade é de 6,8% do total e o déficit de peso, de 4,1%.

Entre os jovens de 10 a 19 anos, o déficit de peso é de 3,4% e preocupa mais o porcentual de excesso, 20,5%.

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