Registro de vacina contra a dengue está próximo, diz ministro

Imunizante é produzido pela Sanofi Pasteur; Marcelo Castro afirmou que o maior problema da substância é seu custo elevado

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

15 de dezembro de 2015 | 20h10

BRASÍLIA - O ministro da Saúde, Marcelo Castro, afirmou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está prestes a decidir sobre o pedido de registro da vacina contra a dengue produzida pela empresa Sanofi Pasteur. “Acho que ela poderá ser comercializada rapidamente”, disse. A solicitação de registro do imunizante, que protege contra os quatro sorotipos do vírus, foi apresentada em março pela farmacêutica.

Castro afirmou que o maior problema da vacina é seu custo elevado. Cada dose custa cerca de 20 euros. “Para uma população de 200 milhões de habitantes, é completamente inviável”, disse o ministro horas depois de receber executivos da empresa.

Além do custo, a vacina contra a dengue da Pasteur tem dois fatores apontados como desvantagem: a necessidade de aplicação de três doses (algo que reduziria, por exemplo, o efeito no caso de uma epidemia) e uma eficácia considerada limitada: 66% dos voluntários desenvolveram anticorpos contra o vírus.

Uma das alternativas cogitadas para tentar reduzir os custos seria eleger um público alvo para vacina. “O laboratório defende a faixa etária entre 10 e 14 anos, porque esse público se movimenta muito, é muito picado. Mas essa é a opinião dos fabricantes, não do ministério”, disse Castro. Ele ressalta que não há ainda nenhuma decisão sobre a incorporação do produto no Sistema Único de Saúde.

A vacina desenvolvida pela Pasteur foi aprovada semana passada no México. Malásia, Indonésia e Filipinas também aguardam a avaliação do pedido de registro. Dentro do ministério, no entanto, há resistências para liberação do uso do imunizante agora. Além da baixa eficiência, alguns integrantes da equipe avaliam que a incorporação do produto agora colocaria em risco o andamento de um recurso que atualmente é considerado altamente promissor para o País: a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantã, em parceria com o NIH dos Estados Unidos e que semana passada recebeu o sinal verde da Anvisa para o início da fase 3 das pesquisas.

O receio é que essa fase 3, na qual serão testados 17 mil voluntários, tenha problemas éticos para ser iniciada: com uma vacina registrada no País, não seria ético submeter um grupo de controle das pesquisas ao uso de placebo - uma substância inócua. E é pensando nisso, afirmam alguns analistas, que a Pasteur aposta. Daí a pressão para maior agilidade da Anvisa para analisar o pedido de registro.

Mesmo que fosse aprovada agora, a vacina da Sanofi Pasteur não poderia ser usada pela totalidade da população. A farmacêutica já avisou que tem capacidade de produzir anualmente 100 milhões de doses. Para o Brasil, estariam reservadas 30 milhões.

O ministro observou que a dengue é um dos problemas a ser enfrentado. Para ele, uma das grandes prioridades é encontrar mecanismos que possam ser usados para evitar a infecção pelo zika, sobretudo entre mulheres em idade fértil e em gestantes. “No caso de zika, estaria claro qual seria o público alvo para uma eventual vacina”, disse. Ele observou, no entanto, que não há perspectivas a curto prazo para desenvolvimento de vacina contra o vírus, também transmitido pelo Aedes aegypti. “A Sanofi, por exemplo, afirma que seriam necessários pelo menos 10 anos.

 

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