FELIPE RAU/ESTADAO
FELIPE RAU/ESTADAO

Regra de telemedicina deve ficar para 2020

Norma do CFM foi publicada e revogada em fevereiro após pressão da comunidade médica; evento do ‘Estado’ discutiu tecnologia na saúde

Paula Felix, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2019 | 03h00

A polêmica regulamentação sobre a prática da telemedicina no País deve ser apresentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) só em 2020. A estimativa foi dada pelo conselheiro do CFM Aldemir Soares, relator da resolução publicada e revogada em fevereiro, após pressão da comunidade médica. Soares participou ontem do Estadão Summit Saúde 2019

Após a resolução CFM 2.227/2018 ter sido revogada, o órgão abriu consulta pública. Segundo o conselheiro, o órgão está em um momento de eleições e a elaboração e anúncio devem ser realizados pelos futuros membros. “O novo corpo do conselho toma posse em 1.° de outubro e acredito que vai fazer a nova resolução. Mas deve sair no começo de 2020, porque o trabalho está praticamente pronto. Tem a resolução, que é a base, e todas as contribuições que já chegaram e foram compiladas de um jeito para que se analise”, diz Soares. 

Segundo ele, o CFM já esperava grande repercussão sobre a norma, mas o volume de manifestações, superior a 2 mil, fez com que a regra voltasse a ser debatida. Presidente do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), Mario Jorge Tsuchiya defendeu mais discussão. “É uma tecnologia extremamente cara e tem vários gêneros de telemedicina. Não tinha um item sobre educação médica, inclusive sobre formar novos profissionais.”

Com base no que está permitido na telemedicina, que é a interação entre médicos, Cesar Biselli, coordenador de Inovação e Tecnologia do Hospital Sírio-Libanês, diz que é possível usar a estratégia com poucos recursos e beneficiar pacientes. “É a oportunidade de ter atendimento mais rápido. A tecnologia é o telefone e o acesso à internet, mas tem de colocar recursos humanos de alta qualidade.” 

O evento também debateu temas como atenção primária e desafios da inovação na saúde em um País tão desigual. Um deles é a informatização dos prontuários médicos e a integração do setor. “Falta uma articulação maior, porque é possível fazer a troca de informações”, avalia Luis Gustavo Kiatake, presidente da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde.

“O País é perfeito pela nossa diversidade, algo bom para inteligência artificial, porque conseguimos treinar algoritmos para aprender a tomar decisões inteligentes para vários grupos e não vão aumentar disparidades”, diz o professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) Alessandro Chiavegatto Filho.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.