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Regras de ouro

Estado, empresas e cidadãos terão de realizar tarefas para flexibilizar o isolamento

Gonzalo Vecina*, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2020 | 01h30

É o momento de flexibilizar o isolamento? Com certeza não! Mas é importante discutir o assunto. A sociedade precisa entender o momento e se preparar para o que serão as tarefas a serem cumpridas na próxima etapa de enfrentamento da pandemia. Existe um clima de exaustão e de angústia com a incerteza em relação ao futuro. Por isso é terapêutico tentar compor um cenário de futuro.

Não é o momento, mas é possível flexibilizar as medidas para conter a epidemia. Mas existem tarefas que terão de ser realizadas pelo Estado e seus governantes, pelas empresas e pelos cidadãos. Primeiro, as condições pelas quais serão responsáveis o Estado e os governantes. Para flexibilizar existem três regras de ouro:

1) Casos novos devem estar em queda por 14 dias consecutivos - este é o sinal inequívoco de que se está conseguindo reduzir a ameaça de novas mortes e de pressão sobre o aparato da saúde. Para que essa queda ocorra, muitas condições devem estar presentes, mas realço a questão de testar sintomáticos e seus contactantes para promover seu isolamento e diminuir a chance de ocorrência de casos. Também a atenção primária à saúde deve estar operando adequadamente e atendendo pacientes de doenças crônicas e casos suspeitos de covid-19. Para isso profissionais que aí atuam devem estar com suprimento adequado de equipamentos de proteção individual. Também é importante que exista adequada comunicação com a sociedade acerca de todos os dados sobre a epidemia.

2) Manter a taxa de isolamento social, medida pelas antenas de celulares, acima de 55%. A flexibilização não significa liberar a movimentação, mas permitir alguma atividade e com gradações escalonadas que governos deverão propor. Vários Estados brasileiros estão com seus conjuntos de protocolos e também vários países europeus têm propostas que podem ser consultadas. Interessa que seja um conjunto coerente de propostas.

3) Manter a taxa de ocupação dos leitos de UTI abaixo de 60%, para manter a capacidade de atendimento do setor saúde aos casos mais graves.

Às empresas caberá auxiliar seus trabalhadores no controle da ocorrência de novos casos. O ambiente deverá ser higienizado, limpo e deverão ser instauradas medidas de controle da temperatura dos trabalhadores, uso de máscaras e distanciamento social, bem como condição para a adequada higienização das mãos. Medidas inteligentes e não mágicas, como túneis de desinfecção e uso abusivo de lâmpadas de ultravioleta. Essas são medidas a ser evitadas, pois transmitem uma falsa ideia de segurança e podem ser danosas à saúde. Nos estabelecimentos comerciais será importante observar regras de distanciamento social. Importante que trabalhadores e clientes se sintam parte dessa solução para participarem ativamente dela.

Aos cidadãos caberá manter a própria higiene e distanciamento social. Cuidado em seus deslocamentos necessários, proteção dos idosos e dos portadores de comorbidades, uso de máscaras, busca de informações sobre a epidemia e evitar consumir e disseminar fake news.

Ao Estado também caberá criar as condições para que a população mais desprotegida das periferias tenha condições de ter acesso à alimentação e às condições de higiene adequadas, particularmente acesso à água. A mobilidade social das regiões mais deprimidas decorre da busca por alimento, por isso o Estado deve criar colchões de proteção social para essa população.

Informação correta e transparência são dois fatores críticos para que todos se orientem para atravessar este momento de transe coletivo.

*É MÉDICO SANITARISTA

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