Ilustração/REUTERS
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Reino Unido aprova vacina de Oxford contra covid-19

Esta é a segunda vacina a ser aprovada no país, que foi também o primeiro a aprovar o uso da vacina da Pfizer; imunizante era esperado por ser mais barato e de distribuição mais fácil

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2020 | 06h31

LONDRES - O Reino Unido autorizou o uso emergencial da vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pela AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford. O imunizante foi aprovado pela agência regulatória britânica (MHRA) nesta quarta-feira, 30, no momento em que as autoridades esperam acelerar a campanha de vacinação lançada no país no início de dezembro. A MHRA aprovou o regime de aplicação de duas doses completas, com intervalo de 1 a 3 meses. A vacinação deve começar na próxima semana. 

Esta é a segunda vacina a ser aprovada no Reino Unido, que foi também o primeiro a aprovar o uso da vacina da Pfizer. O imunizante de Oxford/AstraZeneca era bastante esperado por ser mais barato e de mais fácil distribuição. Suas doses podem ser conservadas em freezers convencionais, sem a necessidade de preservação a -70 graus Celsius.

O país confirmou 53.135 casos de covid-19 nesta terça-feira, 29, o maior número registrado desde o início da pandemia, superando em mais de 11 mil casos o recorde estabelecido no dia anterior. O aumento no número de casos é atribuído a uma nova variante do vírus, que pode ser até 70% mais transmissível do que as versões anteriores do vírus. Os hospitais britânicos registram mais internações neste momento do que na primeira onda do vírus no país, em abril. 

O Reino Unido encomendou 100 milhões de doses da vacina de Oxford. Somadas às doses do imunizante da Pfizer já adquiridas pelo país, o total é suficiente para imunizar toda a população britânica. 

A aprovação é uma validação da vacina vista como essencial para imunização em massa em países como o Brasil. A falta de transparência na divulgação dos dados dos testes clínicos e um erro de dosagem que levou a dois resultados de eficácia - 62% quando aplicadas em um regime de duas doses completas e 90% com meia dose seguida de outra completa - geraram questionamentos dos especialistas. A eficácia da vacina no grupo de maior risco, os idosos, ainda não é conhecida. Mesmo sem esse dado, o governo britânico deve iniciar a vacinação de pessoas acima de 80 anos, trabalhadores de saúde e residentes de asilos na próxima segunda-feira, 4. 

Nesta quarta-feira, 30, Munir Pirmohamed, diretor do setor de farmacogenômica do sistema de saúde britânico (NHS) e um dos responsáveis pela avaliação das vacinas contra a covid-19, disse que o imunizante pode ter 80% de eficácia quando aplicadas duas doses completas com um intervalo de três meses. Este dado não havia sido divulgado previamente. 

"Nós também analisamos o regime de meia dose (que de acordo com a AstraZeneca garante 90% de eficácia), mas sentimos que os resultados não se confirmavam na análise completa", disse Pirmohamed.  

Em uma mudança de abordagem, o Comitê Conjunto de Vacinação e Imunização (JCVI) disse que a prioridade deveria ser dar a primeira dose ao maior número de pessoas em grupos de risco, em vez de fornecer as duas doses necessárias no menor tempo possível. "Esta é uma ótima notícia não apenas por a vacina ter sido aprovada, mas também pela descoberta de que a imunidade contra a doença surge em torno de quinze dias após a aplicação da primeira dose", disse Matt Hancock, ministro da Saúde do Reino Unido, em entrevista à BBC.  

Os britânicos devem esperar até três meses para receber a segunda dose dos imunizantes, incluindo o da Pfizer, que já está sendo aplicado desde o início de dezembro. 

A vacina não deve ser aprovada pela União Europeia e Estados Unidos em um futuro próximo. A agência reguladora da União Europeia (EMA), informou que não recebeu informações suficientes dos estudos clínicos para garantir o aval. A AstraZeneca ainda não solicitou a autorização à EMA. Nos Estados Unidos, a agência reguladora de medicamentos e alimentos (FDA) aguarda os resultados de outro teste clínico de fase 3, realizado no país. Os estudos foram paralisados em setembro após o registro de uma doença inflamatória grave em um voluntário no Reino Unido e retomados sete semanas depois. Moncef Slaoui, chefe da operação "Warp Speed", força-tarefa do governo americano para a vacinação contra a covid-19, disse que os possíveis resultados podem levar a uma aprovação pela FDA em fevereiro ou março. 

Brasil

A vacina de Oxford é ainda a grande aposta do governo brasileiro, que investiu R$ 1,9 bilhão para viabilizar a compra, processamento e distribuição de 100 milhões de doses do imunizante. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que começará a produzir a vacina no País em janeiro, deve pedir o registro à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na próxima semana. 

A Anvisa tem até 60 dias para analisar o pedido, mas a expectativa é de que a autorização seja concedida até fevereiro. Segundo o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, a vacinação deve começar no mesmo mês.

A AstraZeneca disse nesta quarta-feira, 30, que trabalha de maneira eficiente e transparente para disponibilizar a vacina no Brasil o mais rápido possível e que continua comprometida a solicitar o registro na Anvisa. A empresa disse que continuará a enviar os dados dos estudos em andamento de forma contínua, mas não mencionou se irá pedir autorização para o uso emergencial no País, processo já descartado por outra farmacêutica, a Pfizer, por falta de acordo com o governo brasileiro./ NYT, AFP, Reuters

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