Timur Matahari/AFP
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Reino Unido espera aprovação da vacina de Oxford nas próximas semanas

Por ser mais barato e ter capacidade de armazenamento em temperaturas normais de refrigeradores, imunizante é considerado peça-chave e esperança de países como o Brasil; resultado da fase 3 de testes gerou dúvidas entre especialistas

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2020 | 09h01

O governo do Reino Unido espera que a vacina contra o coronavírus desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca seja aprovada pela Agência Regulatória de Produtos de Saúde e Medicamentos (MHRA) nas próximas semanas, de acordo com o ministro da Saúde, Matt Hancock. 

“Esperamos muito que ela seja aprovada”, disse Hancock em entrevista à BBC na manhã desta terça-feira, 8. “Essa é uma decisão que cabe ao MHRA, que só aprovará se (a vacina) for segura e eficaz”.

O país se tornou nesta terça-feira o primeiro do Ocidente a vacinar a população contra o vírus causador da covid-19. Segundo Hancock, milhões de britânicos devem receber o imunizante da farmacêutica Pfizer e da empresa de biotecnologia BioNTech ainda este ano. 

Patrick Vallance, conselheiro-chefe de ciência do Reino Unido, afirmou que vacinas mais fáceis de conservar e distribuir, como a de Oxford/AstraZeneca são peça-chave no combate ao coronavírus. 

Os resultados preliminares da fase final dos estudos clínicos apontam eficácia de até 90% quando administrada em regime de meia dose seguida de uma dose completa do imunizante. 

Segundo a AstraZeneca, quando aplicadas duas doses completas, a eficácia cai para 62%. Além de ser menor em número de voluntários, o grupo que apresentou os melhores resultados não tinha idosos, considerados os mais vulneráveis à doença. Nem a Universidade de Oxford nem a AstraZeneca sabem ainda explicar por que uma dosagem menor apresentaria resultados melhores.

O executivo responsável pela área de pesquisa e desenvolvimento da empresa, Menelas Pangalos, revelou que a empresa não tinha a intenção de aplicar metade da dose nos voluntários, o que fez especialistas levantarem questionamentos sobre a credibilidade dos resultados.

Em 26 de novembro, a AstraZeneca anunciou que fará testes adicionais da vacina com “milhares” de voluntários. Esse processo deve atrasar o registro do produto, que era esperado para este mês.

A vacina de Oxford é uma das maiores esperanças de países como o Brasil, por ser mais barata e ter capacidade de armazenamento em temperaturas normais de refrigeradores. Os resultados preliminares da fase final dos estudos clínicos apontam eficácia de até 90% quando administrada em regime de meia dose seguida de uma dose completa do imunizante. 

O governo brasileiro investiu cerca de R$ 2 bilhões para viabilizar a compra, processamento e distribuição de 100 milhões de doses da vacina de Oxford. O recurso foi destinado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que tem um acordo com a universidade e a AstraZeneca, e se prepara para começar a produção de 210 milhões de doses do imunizante em janeiro de 2021./Com informações da Reuters

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