Alberto Pezzali/AP
Alberto Pezzali/AP

Reino Unido monitora nova mutação da variante Delta do coronavírus

Governo vê aumento de casos no país, mas especialista garante que nova cepa não pode ser responsabilizada

Redação, AFP

19 de outubro de 2021 | 15h07

LONDRES - O governo britânico, diante de um aumento significativo nos casos diários de covid-19, anunciou nesta terça-feira, 19, que está "monitorando de perto" uma nova subvariante do coronavírus que está se espalhando no Reino Unido, sem saber ainda se é mais contagiosa.

A nova mutação, apelidada de "AY4.2", deriva da variante Delta altamente contagiosa detectada inicialmente na Índia e que vem causando um aumento de casos no Reino Unido no final da primavera. "Estamos rastreando esta nova variante de muito perto e não hesitaremos em agir se necessário", disse um porta-voz do governo. Mas ele avisou que "não há razão para acreditar que esteja se espalhando com mais facilidade".

O surgimento dessa nova subvariante ocorre em um momento em que o país, um dos mais atingidos da Europa com 138 mil mortes por covid-19, enfrenta um número crescente de casos positivos. Durante duas semanas, as novas infecções diárias flutuaram entre 35 mil e 45 mil, com uma taxa de incidência de 410 casos por 100 mil habitantes até 12 de outubro, muito maior do que no resto da Europa.

Alguns cientistas atribuem esta deterioração, que no momento afeta principalmente adolescentes e adultos jovens, ao baixo nível de vacinação entre essa faixa etária, à redução da imunidade em idosos vacinados há muitos meses e ao fim em julho na Inglaterra da maioria restrições, como o uso de máscaras em ambientes internos.

Na opinião de François Balloux, diretor do Instituto de Genética da University College London, a nova variante "não é a causa do recente aumento do número de casos no Reino Unido". O cientista explicou que, com a baixa frequência atual, mesmo "10% a mais de transmissibilidade só poderia ter causado um pequeno número de casos adicionais".

O aparecimento de AY4.2 "não é uma situação comparável ao aparecimento das cepas Alfa e Delta, que eram muito mais transmissíveis (50% ou mais) do que qualquer uma das cepas que circulavam naquela época", continuou.

A nova variante AY4.2 é quase inexistente fora do Reino Unido, exceto por três casos detectados nos Estados Unidos e alguns na Dinamarca, que desde então quase desapareceram. Sua reação às vacinas existentes está sendo investigada.

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