Timur Matahari/AFP
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Reino Unido pede a órgão regulador de saúde para examinar vacina de Oxford contra covid-19

Se a vacina receber sinal verde, será 'uma etapa importante para se conseguir uma vacina o mais rápido possível', acrescentou ministro

AFP, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2020 | 23h04

O governo britânico se encontrou com o diretor-executivo do laboratório britânico AstraZeneca para solicitar mais estudos sobre a vacina que desenvolveu contra a covid-19 junto com a Universidade de Oxford antes de sua comercialização.

"Pedimos oficialmente ao regulador de saúde para avaliar a vacina Oxford/AstraZeneca e determinar se ela atende a padrões de segurança rigorosos", disse o ministro da Saúde, Matt Hancock, em um comunicado.

Se a vacina receber sinal verde, será "uma etapa importante para se conseguir uma vacina o mais rápido possível", acrescentou.

Anteriormente, Pascal Soriot, diretor da AstraZeneca, anunciou que submeteria a vacina a "um estudo adicional". "Agora que descobrimos o que parece ser uma maior eficácia, temos que validá-la, então precisamos de um estudo adicional", disse ele.

O laboratório britânico e a Universidade de Oxford anunciaram nesta segunda-feira que sua vacina apresentou eficácia média de 70%. No entanto, esses dados vêm de dois grupos diferentes. Um menor, em que meia dose foi administrada primeiro e uma dose completa um mês depois, resultou em 90% de eficácia. Um segundo grupo, muito maior, que recebeu duas doses da vacina com um mês de intervalo, mostrou eficácia de 62%.

Andrew Pollard, cientista da Universidade de Oxford, explicou que a diferença pode ser explicada porque "ao dar uma primeira dose menor, estamos preparando o sistema imunológico de maneira diferente, estamos preparando-o melhor para responder".

No entanto, os cientistas reconheceram que a menor quantidade inicialmente administrada ao primeiro grupo resultou de um erro na dose que os pesquisadores mais tarde decidiram aproveitar.

Posteriormente, soube-se que esse grupo, além de bem menor, tinha limite máximo de idade de 55 anos. Isso levantou dúvidas sobre a eficácia da vacina em idosos, o que fez com que as ações da AstraZeneca caíssem na bolsa, mas não pareceram preocupar os médicos do governo britânico, que apostaram fortemente nesse projeto.

"Sempre há um debate científico sobre tudo", disse o conselheiro médico-chefe, Chris Whitty, em uma entrevista coletiva com o primeiro-ministro Boris Johnson. “A resposta é deixar isso nas mãos dos reguladores, é sempre um erro fazer muitas interpretações cedo demais”, acrescentou.

Assim, para confirmar os resultados quando se administra meia dose e depois uma dose completa, Soriot anunciou que provavelmente será feito outro "estudo internacional". “Mas isso poderia ser mais rápido porque sabemos que a eficácia é alta e precisamos de um número menor de pacientes”, acrescentou, especificando que pesquisas adicionais não devem atrasar a aprovação da vacina pelos órgãos reguladores de saúde.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que espera a divulgação completa dos dados do ensaio. “Em uma revisão dos dados detalhados, estaremos melhor posicionados para entender o desempenho da vacina”, afirmou a entidade. 

As outras duas vacinas em estágio muito avançado, desenvolvidas pelos laboratórios americanos Pfizer e Moderna, mostraram eficácia superior a 90% em ensaios clínicos. No entanto, o projeto AstraZeneca tem a vantagem de usar uma tecnologia tradicional que o torna muito mais barato: custaria US$ 4 a dose contra mais de US$ 25 para as demais vacina. O laboratório também se comprometeu a distribuí-lo a preço de custo para os países mais pobres.

A vacina britânica também tem a vantagem de poder ficar pelo menos seis meses refrigerada entre 2ºC e 8ºC, o que facilita a distribuição para todo o mundo, em comparação com a Pfizer que deve ser mantida a -70ºC, temperatura bem inferior à de um freezer normal.

O Reino Unido, o país mais atingido na Europa pela pandemia que matou 57 mil no país, é também o "primeiro país do mundo a assinar um acordo com a AstraZeneca e a Universidade de Oxford, garantindo acesso a 100 milhões de doses", de acordo com o Ministério da Saúde.

Se a vacina for liberada, 4 milhões de doses serão entregues ao Reino Unido até o final do ano e outras 40 milhões até o final de março de 2021.

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