Relato de cubana embasará nova onda de ações contra Mais Médicos

Segundo presidente de federação dos médicos, documentação indicaria que formação não é de um médico, mas de assistente, e haveria problemas com carga horária

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

12 Fevereiro 2014 | 20h41

BRASÍLIA - O presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Geraldo Ferreira, afirmou nesta quarta-feira, 12, que uma nova onda de ações contra o Mais Médicos deverá ser desencadeada nos próximos dias, por sindicatos estaduais. A ideia é usar como nova munição relatos e documentação apresentada pela cubana Ramona Rodriguez, que semana passada abandonou o programa e pediu refúgio na liderança do DEM. "A documentação traz claros indícios de que a formação não é a de um médico, mas de um assistente", disse.

Ferreira se encontrou nesta quarta-feira, 12, com o procurador do Trabalho Sebastião Vieira Caixeta, que comanda uma investigação sobre eventual descumprimento das regras trabalhistas pelo programa Mais Médicos. O procurador pretende concluir o trabalho ainda neste mês. Passada essa fase, a ideia é pedir que o governo faça adequações necessárias.

Para o procurador, os dados reunidos até agora mostram haver uma relação formal de trabalho e não de um curso de especialização, conforme previsto na medida provisória que criou o programa. A movimentação da Fenam é um exemplo de como as entidades médicas retomam a artilharia contra o programa.

Diante das críticas ao comportamento que adotaram ano passado, quando o Mais Médicos foi lançado, e da alta aprovação que o programa alcançou entre a população, as entidades passaram a adotar uma postura mais discreta. Com o episódio Ramona Rodriguez e o registro de mais quatro casos de cubanos que abandonaram o programa, as entidades voltam à tona.

O primeiro passo foi dado pela Associação Médica Brasileira, que resolveu contratar Ramona para serviços administrativos no escritório de Brasília. Ela vai receber R$ 3 mil mensais. O Conselho Federal de Medicina, por sua vez, anunciou a formação de uma "rede humanitária" para auxiliar médicos cubanos que queiram sair do programa e trabalhar no País. O presidente da entidade, Roberto D'Ávila, afirmou que profissionais serão incentivados a auxiliar colegas cubanos com logística e, eventualmente, até nos preparativos para realização da prova de validação do diploma, o Revalida.

Novo cargo. Contratada pela AMB, Ramona dedicou esta quarta-feira, 12, a providências burocráticas: exame médico e abertura de conta bancária para o depósito de seu salário. De acordo com a assessoria da AMB, o trabalho somente terá início na próxima semana.

O desligamento formal de Ramona do Mais Médicos foi publicado ontem no Diário Oficial. Esse é o primeiro passo para que ela tenha seu visto de permanência retirado. Sua permanência no País, no entanto, está garantida, pelo menos até o julgamento do pedido de refúgio que ela apresentou, na semana passada. A expectativa é a de que seu processo seja  avaliado somente depois de março.

A edição de ontem do Diário Oficial também trouxe a lista de 89 profissionais do Mais Médicos, entre eles, quatro cubanos cujo paradeiro não é conhecido, considerados ausentes. Eles terão 48 horas para se apresentar. Caso contrário, serão desligados do trablaho.

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