Relatório sobre Abdelmassih diz que danos são irreparáveis

Peritos do Conselho Regional de Medicina concluem que atuação do médico resultou em 'danos graves'

Fabiana Marchezi, do estadao.com.br,

07 de setembro de 2009 | 22h30

A reportagem do Jornal Nacional, desta segunda, 7, teve acesso a documento que revela as irregularidades encontradas na clínica de reprodução humana do médico Roger Abdelmassih. O relatório é do Conselho Regional de Medicina de São Paulo. A conclusão da redatora do documento é que a atuação profissional do médico resultou em "danos graves e irreparáveis".

 

Há sete meses, peritos médicos investigam o que se passava na clínica de Roger Abdelmassih, preso sob acusação de estuprar pacientes. Vítimas foram ouvidas, prontuários recolhidos e indícios de outros crimes apareceram.

 

A reportagem do Jornal Nacional teve acesso ao primeiro documento que resultou da investigação feita pelos médicos. Nele, a relatora do Conselho Regional de Medicina pediu que Roger Abdelmassih tivesse o direito de clinicar suspenso e detalhou quais seriam os outros crimes que ele teria cometido.

 

Diz a relatora: "A presente sindicância ético-profissional apresenta diversos pontos que afrontam a ética médica, como o abuso sexual contra pacientes, a interação farmácia e laboratórios, a incerteza quanto ao destino de óvulos e espermatozoides, além de aborto e redução embrionária".

 

O que foi encontrado na clínica a relatora vai explicando ao longo do documento: "Comércio de medicamentos, prontuários preenchidos a lápis, desorganização, além de práticas ilegais, como o uso de exames genéticos para escolher o sexo do bebê e o aborto seletivo como maneira de reduzir o número de embriões em gestação.

 

Em uma entrevista concedida em 2003, Roger Abdelmassih defendeu a chamada sexagem. "Eu gostaria de ter um filho homem, então por que eu tenho quatro filhas mulheres? Existe tecnologia para isso? Existe, vamos ajudar, por que não?", disse.

 

Para o Conselho Regional de Medicina, a fama do médico tem um peso grande. Diz o relatório: "Os danos causados pela prática do profissional são graves e irreparáveis". O advogado de Roger Abdelmassih diz que o médico é inocente. "Ele sempre deixou claro para mim, com tranquilidade, que os procedimentos feitos na sua clínica atendem aos preceitos éticos e legais", afirmou o advogado José Luís de Oliveira Lima, que faz parte da defesa do médico.

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