Remédio abortivo vendido no Paraguai causa problemas em MS

Acredita-se que 80% dos abortos voluntários sejam provocados pelo Cytotec, cuja venda é proibida no País

João Naves de Oliveira, de O Estado de S. Paulo,

20 de novembro de 2008 | 15h59

O medicamento Cytotec, indicado para problemas estomacais, continua provocando dezenas de abortos diariamente. O problema é "gravíssimo e requer imediata intervenção das autoridades ligadas ao setor da Saúde", segundo afirma a médica Conceição Escobar, que trabalha no Hospital Regional de Ponta Porã, na divisa com o Paraguai, em Mato Grosso do Sul. Ela explica que somente naquela casa de saúde, são atendidas mensalmente uma média de 150 mulheres em processo de aborto ou com hemorragia pós-aborto.   Veja também: Já são 30 as condenadas a penas alternativas por aborto no MS 1,5 mil mulheres serão indiciadas por aborto em MS   "Acredito que pelo menos 80% são casos de abortos provocados pelo remédio Cytotec. Têm muitas pacientes que confirmam a utilização do comprimido, mas outras dizem ser aborto involuntário. A pílula é vendida abertamente em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia vizinha de Ponta Porã. No Brasil a venda é proibida, mas aqui é somente atravessar uma avenida e compra-lo à vontade".   No hospital chegam mulheres de várias localidades brasileiras, numa espécie de "turismo abortivo", conforme informa a médica. Eles tomam um comprido e introduzem outro na vagina, e o resultado é sempre drástico. Um dos exemplos é o de Rosenilda Gonçalves de Oliveira, 28 anos. Em junho de 2005, com cinco meses de gestação, ela abortou e deixou o feto na privada de uma loja de roupas de Amambaí, município que faz divisa com Ponta Porã.   Foi localizada e presa no mesmo mês e confessou ter provocado o aborto com Cytotec. Criminalmente indiciada, mudou para o Mato Grosso, onde responde ao processo por carta precatória, sempre afirmando que não é a autora do crime. Em dezembro do ano passado, o juiz da 1ª Vara de Execuções Penais, César de Souza Lima, autorizou a exumação do feto, para retirada de material genético visando exame de DNA, e está esperando os resultados da pesquisa.   As assessorias das polícias federal e rodoviária federal, civil e militar, disseram que segundo seus superiores, a parte que cabe ao policiamento está sendo cumprida com sucessivas apreensões do Ciytotec e prisões de vendedores, inclusive como aconteceu este ano, em locais que vendem produtos bolivianos e paraguaios, um deles é o "Camelódromo", de Campo Grande.   Em uma drogaria de Pedro Juan Caballero, um dos vendedores informou que depois dos estimulantes sexuais, o Cytotec é o mais vendido entre os demais medicamentos.

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