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Remédio americano de baixo custo pode chegar ao Brasil

Um tratamento de baixo custo dirigido a portadores de insuficiência cardíaca aprovado nos Estados Unidos para uso exclusivo em negros poderia, no Brasil, beneficiar também brancos e pardos. A conclusão é de estudo da Universidade Federal Fluminense (UFF), que vai ser discutido em evento aberto ontem na sede da instituição, em Niterói, onde os pesquisadores estão reunidos com especialistas do Instituto do Coração (Incor). A pesquisa considerou o resultado de um ensaio clínico concluído há dois anos nos Estados Unidos, segundo o qual o uso associado de duas drogas (nitrato e hidralazina) em negros portadores de insuficiência cardíaca reduziu em 43% a taxa de mortalidade. Diante da descoberta, o FDA, órgão governamental americano que controla medicamentos, autorizou o tratamento em junho do ano passado. No Brasil, as duas substâncias estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), mas só para tratamentos de hipertensão arterial e angina, informa o responsável pela Clínica de Insuficiência Cardíaca da UFF, Evandro Mesquita, um dos autores do estudo, realizado nos últimos seis meses. Neste período, foram realizadas análises do DNA de 88 pacientes com insuficiência cardíaca e de 94 doadores de sangue, que constituem o grupo de controle. Também integrante do estudo da UFF, Georgina Ribeiro observa que a queda acentuada no número de óbitos registrada no ensaio clínico americano foi atribuída à maior presença, em negros, de um genótipo (conjunto de genes) que respondeu melhor ao tratamento com nitrato e hidralazina. O genótipo apresenta uma alteração no gene da enzima responsável pela produção do óxido nítrico - um vasodilatador. Ganho da Miscigenação Embora nos Estados Unidos esse genótipo seja mais prevalente entre negros, no Brasil a pesquisa constatou que não há uma variação em relação à raça. 'Percebemos que esse gene estava distribuído de uma maneira praticamente igual em negros, brancos e pardos. Provavelmente, em função da nossa miscigenação', detalha Mesquita. Para Charles Mady, do Incor, a descoberta da UFF deveria desencadear uma mobilização para dar à insuficiência cardíaca a devida importância em termos de política pública.'No Brasil, muitos portadores de insuficiência cardíaca são pessoas que têm doença de Chagas, um mal que acomete mais pobres. É preciso uma atenção maior para o assunto.' Segundo Mady, metade dos pacientes morre dois anos após o diagnóstico.

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