Remédio para hemodiálise contaminado mata 81 nos EUA

Medicamento Heparin, usado para "afinar" o sangue, teria sido distribuído para 11 países

Agências internacionais,

22 de abril de 2008 | 09h18

A Agência de Saúde dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) anunciou nesta segunda-feira, 22, que encontrou vestígios de contaminação no remédio Heparin, feito na China, em 11 países. A droga, que é usada para hemodiálise, já causou 81 mortes nos EUA.   Porém, oficiais chineses duvidam da afirmação de que a contaminação encontrada na droga tenha provocado qualquer morte e insistiu que o incidente pode ter ocorrido apenas nos EUA. Ning Chen, representante da Embaixada chinesa, mostrou ainda a disposição de fiscais chineses em verificar a empresa americana responsável por finalizar a produção do medicamento e afirmou ainda que não há evidências de que a contaminação do Heparin tenha provocado as reações alérgicas.   A FDA identificou 12 companhias chinesas que teriam distribuído medicamento contaminado para 11 países - Austrália, Canadá, China, Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Japão, Holanda, Nova Zelândia e para os Estados Unidos. Deborah Autor, diretora da Agência, afirmou que o órgão ainda não sabe a fonte original de toda a contaminação ou os pontos de abastecimento desses países. A agência definiu as mortes suspeitas como aquelas que envolveram uma ou mais reações alérgicas ou uma queda da pressão sanguínea.   Desde o fim de fevereiro não houve registro de mortes, depois que a fabricante, a Baxter International, recolheu o Heparin fabricado com matéria-prima de um fornecedor chinês. A disputa acirrou ainda mais a tensão entre China e EUA por conta de importações. Pequim já vendeu ao mundo. pasta de dentes envenenada, brinquedos intoxicados, comidas para animais contaminadas, entre outros produtos.   O principio básico da substância para afinar o sangue é originalmente retirada do intestino de porcos, em pequenas propriedades e sem licenciamento sanitário na China, e depois incorporado ao medicamento na fábrica americana. Além da Baxter, outras empresas (a Covidien, a antiga Tyco Healthcare e a B.Brau) recolheram seus similares do mercado americano - nos casos em que havia insumos chineses. Tanto a Covidien quanto a Braun informaram não ter conhecimento de reações adversas provocadas pelo Heparin que fabricam e dizem ter tomado a decisão como medida de precaução. O produto também foi recolhido na Alemanha, Dinamarca, França, Itália e Japão.   A China é a maior fornecedora de componentes do Heparin e de outros compostos para a indústria farmacêutica. Órgãos reguladores chineses disseram ter intensificado a fiscalização sobre a produção da droga, que envolve milhares de pequenos laboratórios familiares que coletam e tratam a matéria-prima obtida dos intestinos.   (Com The New York Times)

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