Remédio pode amenizar memórias relacionadas ao medo

Estudos em animais já haviam demonstrado que memórias poderiam ser alteradas quando evocadas

BBC

16 Fevereiro 2009 | 14h16

Um estudo holandês sugere que um remédio usado no tratamento de hipertensão pode ser usado para amenizar memórias relacionadas ao medo.   Segundo pesquisadores da Universidade de Amsterdam, essas memórias poderiam ser alteradas quando evocadas após a ingestão de um beta-bloqueador chamado propanolol, frequentemente usado na prevenção de doenças cardíacas.   Eles explicam que estudos em animais já haviam demonstrado que memórias relacionadas à sensação de medo poderiam ser alteradas quando evocadas - um processo conhecido como reconsolidação.   Para testar se o mesmo poderia acontecer com humanos, os pesquisadores reuniram um grupo de 60 pessoas e mostraram aos voluntários fotografias de uma aranha.   Ao mostrar a imagem aos voluntários, os cientistas aplicavam um pequeno choque elétrico para condicionar os participantes a criarem uma associação entre a foto e uma sensação dolorosa, ou de medo.   Depois do teste, alguns participantes tomaram uma dose de propranolol, enquanto outros receberam apenas placebo.   No dia seguinte ao teste, os cientistas mostraram novamente as imagens aos voluntários. Segundo os resultados, publicados na edição dessa semana da revista científica Nature Neuroscience, os participantes do grupo que ingeriu o propranolol reagiram de maneira mais tranquila quando expostos novamente às fotografias.   Segundo os cientistas, alguns dos participantes que tomaram o beta-bloqueador tiveram a memória relacionada ao medo de receber o choque totalmente eliminada.   "As pessoas não esqueceram que tinham visto a fotografia da aranha. Mas o medo associado à imagem foi apagado", disse Merel Kindt, que coordenou o estudo.   De acordo com os pesquisadores, é possível que o propranolol atue no modo como as memórias dolorosas são armazenadas. Segundo eles, o beta-bloqueador poderia interagir com substâncias químicas no cérebro, bloqueando a reconsolidação do componente emocional da memória, e deixando o restante da lembrança intacta.   O estudo sugere que o tratamento poderia ser usado em pacientes com distúrbios de ansiedade e que sofreram algum trauma.   Segundo os pesquisadores, o próximo passo seria testar o tratamento nestes pacientes e analisar por quanto tempo o beta-bloqueador seria capaz de amenizar a memória dolorosa.

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