Remédio usado no Brasil ajuda a evitar complicações do diabete

Estudo conclui que a intensificação do tratamento para manter o índice glicêmico em 6,5% reduz seqüelas

Fabiana Cimieri, de O Estado de S. Paulo,

17 de junho de 2008 | 19h12

Um dos estudos mais amplos já realizados sobre o diabete do tipo 2 concluiu que a intensificação do tratamento para manter o índice glicêmico em 6,5% é uma forma eficaz de reduzir em até 30% as complicações renais provocadas pela doença. O Advance, estudo realizado pelo The George Institute for International Health, de Sydney, na Austrália, acompanhou 11 mil casos ao longo de cinco anos e concluiu que uma maior dose de glicasida - um medicamento que há mais de 20 anos é utilizado no controle do diabetes no Brasil - associado à insulina, atividades físicas e dieta - é eficaz para que se atinjam esses níveis de açúcar no sangue.   Esse índice glicêmico é medido através do exame de hemoglobina glicada, que dá a idéia de controle de açúcar no sangue num período entre 60 e 90 dias. Essa medida é importante para determinar se o tratamento do diabete está sendo ou não eficaz. Segundo o endocrinologista e pesquisador da Unicamp, Bruno Geloneze, o resultado do estudo, apresentado no Congresso da Sociedade Americana de Diabete (American Diabetes Association - ADA), no dia 6 de junho, foi surpreendente porque a maioria dos médicos acreditava que não havia grandes diferenças em manter o índice glicêmico abaixo de 7%, valor preconizado pela ADA.   "Alguns médicos desconfiavam que não houvesse benefícios, porque 7% já era um índice considerado bom; outros achavam que era necessário a descoberta de uma nova droga para alcançá-lo", disse Geloneze. A glicasida é um medicamento francês, que ainda hoje não é comercializados nos Estados Unidos. A presidente da Sociedade Brasileira de Diabete, Marília de Brito Gomes, concorda que o estudo mostrou que essa associação de glicasida e outros medicamentos é significativamente eficaz para reduzir em 30% as complicações renais decorrentes do diabetes.   No entanto, disse ela, não foram encontradas reduções significativas das complicações cardiovasculares. Geloneze discorda. Para ele, o estudo acompanhou os pacientes por cinco anos, tempo estatisticamente pequeno para avaliar o comprometimento cardíaco. "A doença renal no diabético está associada a doenças cardiovasculares futuras, logo, uma coisa está ligada à outra", afirmou.   O diabete do tipo 2 atinge, atualmente, 250 milhões de pessoas em todo o mundo. Até hoje, as pesquisas ainda não tinham estabelecido o nível ideal da glicemia para a prevenção das complicações mais freqüentes da doença: AVC, cegueira, amputação, hipertensão, infarto, comprometimento dos rins, entre outras.   O estudo Advance teve início em 2003 e, neste período, envolveu 11.140 pacientes diabéticos de alto risco em 215 centros de estudo. A idade média dos casos era de 66 anos e eles estavam, em média, há oito anos com a doença.

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