Raphael Alves/ EFE
Raphael Alves/ EFE

Remessas de oxigênio que governo federal enviou dariam para abastecer Manaus por apenas um dia

Gestão Bolsonaro anunciou ter mandado, durante a madrugada, 70 mil metros cúbicos do insumo, demanda diária atual do Estado, que vive agravamento da pandemia

Patrik Camporez, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2021 | 11h08
Atualizado 20 de janeiro de 2021 | 20h33

BRASÍLIA - Duas cargas de oxigênio encaminhadas pelo governo federal a Manaus, no mês de maio de 2020 e neste final de semana, dariam para abastecer o Amazonas por apenas um dia. A cidade viveu colapso dos hospitais na semana passada, por falta do insumo, o que fez pacientes morrerem asfixiados e doentes serem transferidos para outros Estados. 

Neste domingo, 17, o governo anunciou que balsas atracaram no porto de Manaus, durante a madrugada, com 70 mil metros cúbicos de oxigênio comprados pelo governo do Amazonas. Na véspera, o presidente Jair Bolsonaro propagandeou nas redes sociais que no dia 3 de maio mandou um carregamento de 200 cilindros de oxigênio ao Estado, algo em torno de 2 mil metros cúbicos do produto. Também no sábado, o Ministério da Defesa divulgou nota destacando que mais 6 mil metros cúbicos foram encaminhados ao Estado, o que totalizaria 8 mil metros cúbicos do oxigênio.

O governo federal informou que prevê que o fornecimento de oxigênio ao Amazonas deve ser regularizado até o meio da semana, entre quarta e quinta-feira. O governo afirma que, em articulação com a iniciativa privada, conseguiu nas últimas 24 horas que a demanda excedente diária de Manaus por oxigênio caísse em 63,83%.

De acordo com o governo do Amazonas, a demanda diária, que estava antes do segunda onda da pandemia de covid-19, em torno de 30 mil metros cúbicos, subou para mais de 70 mil na última semana.

Se for levado em conta os duzentos cilindros de oxigênio que o presidente mencionou no Twitter ter enviado em maio para o Amazonas, o volume não daria para abastecer os hospitais do Estado nem por duas horas, mesmo se fosse considerada a demanda de períodos anteriores à pandemia.

Desde a última quarta-feira, 13, quando o sistema de saúde do Amazonas entrou definitivamente em colapso, o presidente passou a ser cobrado a dar uma resposta imediata ao problema. As mortes de pessoas por asfixia, devido à falta de oxigênio, ganharam o mundo.

O governo brasileiro também foi duramente criticado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Nas redes sociais e no meio político o presidente também passou a ser cobrado com maior intensidade, até que Bolsonaro resolveu, nesta sexta, 15, se defender. "Fiz tudo o que estava ao meu alcance, o problema agora é do Estado do Amazonas e da Prefeitura de Manaus", disse.

No dia seguinte aos partidos de oposição anunciarem que vão ingressar com um novo pedido de impeachment, o presidente foi às redes sociais, no sábado, para reafirmar que o governo estaria agindo. "Desde o início da pandemia o @govbr, além de recursos, enviou material humano e oxigênio para o Amazonas", destacou, no Twitter.

A postagem é acompanhada de um vídeo, da Secretaria Especial de Comunicação, que informa que o governo mandou duzentos cilindros de oxigênio para o Amazonas no mês de maio.

Além do oxigênio, Bolsonaro diz no Twitter que o Ministério da Defesa entregou no Estado 31 toneladas de álcool em gel, no início da pandemia, em aviões cargueiros da Força Aérea Brasileira (FAB).

A reportagem procurou o Palácio do Planalto, neste sábado, para que o governo pudesse comentar a postagem do presidente. O Estadão também quis saber se outras cargas de oxigênio, além da informada pelo presidente, foram enviadas pelo governo a Manaus durante a pandemia. O governo não quis comentar. 

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