REUTERS/Bruno Kelly
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Reportagem do Estadão ganha prêmio em concurso sobre cobertura da pandemia

Especial sobre as 10 mil mortes por covid-19 na cidade de São Paulo ficou em primeiro lugar na categoria Ciência e Saúde de concurso promovido pelo Centro Internacional para Jornalistas

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2021 | 21h13

A reportagem especial sobre as 10 mil mortes por covid-19 na cidade de São Paulo, publicada em 5 de agosto de 2020 no Estadão, ganhou um prêmio no concurso promovido pelo Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ, na sigla em inglês) sobre cobertura da pandemia. O material conquistou o primeiro lugar na categoria Ciência e Saúde no idioma português - foram 672 inscrições recebidas, de cinco idiomas.

Com um levantamento feito com base em dados públicos da Prefeitura, a reportagem mostrou o perfil das vítimas com recortes de idade, raça, gênero e regiões da capital paulista. Por meio da análise dos números, a repórter Ludimila Honorato mostra também a evolução da pandemia do novo coronavírus no município, que anunciou a primeira morte em 17 de março. Porém, o primeiro óbito havia sido no dia 12 daquele mês e só não foi computado imediatamente porque, no começo da crise de saúde, os resultados de testes para identificar o vírus demoravam muito tempo para sair. O Ministério da Saúde só retificou a informação em 27 de junho.

A marca dos 10 mil mortos foi atingida 141 dias após o anúncio da primeira vítima, período durante o qual diversas medidas foram adotadas para tentar conter a disseminação do vírus. Os efeitos delas foram poucos ou passageiros e o crescente aumento de infecções resultou nas milhares de mortes contabilizadas.

O perfil estatístico das vítimas - a maioria delas com 70 anos de idade ou mais, homens, brancas e da periferia da cidade - foi apresentado ao leitor em infográficos produzidos por Augusto Conconi e Bruno Ponceano. O retrato da pandemia no município também foi contado por meio da história de dez pessoas que morreram em decorrência da covid-19.

Classificados pelo ICFJ como "perfis comoventes", os relatos foram escritos pelas repórteres Ludimila Honorato e Fabiana Cambricoli. O material tornou-se uma homenagem a George Francisco Gomes, Josefa Florentino Tavares, Adipe Miguel Júnior, Erika Regina dos Santos, Marcelo Ribeiro, Maria dos Santos, Manoel Odinir Rigobelli, Ronaldo Belotti, Aparecido Alves Gouveia, Zita Pereira Silva e todas as vítimas da covid-19 na cidade.

Segundo Ludimila, o objetivo da reportagem foi mostrar os impactos da pandemia no município de modo que o cenário apresentado gerasse reflexões e, principalmente, conscientização sobre a gravidade da doença. O maior desafio, diz, foi ouvir e contar as histórias dos que se foram, transmitindo informação e sensibilidade ao mesmo tempo diante de um assunto triste e difícil de lidar. "Em meio à morte, registrar um pouco da vida de quem partiu e o luto dos que ficaram tornou-se também uma homenagem. É uma forma de 'dar cara' à pandemia quando o negacionismo já era evidente", afirma.

Em segundo lugar na categoria Ciência e Saúde do concurso, ficou a reportagem Em 12 horas, a corrida frenética dos profissionais do Samu para salvar pessoas, do UOL. Na terceira posição, ganhou O que é, de onde veio e para onde vai o SUS, do Nexo Jornal. As demais categorias são Transparência, Crime e Corrupção e Desigualdade, Negócios e Economia. A lista completa de vencedores em todas elas está disponível neste link.

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