República Democrática do Congo confirma novo surto de Ebola

País é o 5º na África a registrar doença; enquanto isso, vizinhos aumentam restrições e Serra Leoa torna crime esconder doente

Jamil Chade, Correspondente de O Estado de S.Paulo

25 Agosto 2014 | 02h01

GENEBRA - A República Democrática do Congo (RDC) também é vítima de um surto do vírus Ebola e o país se transformou na quinta nação africana a confirmar casos da doença. Na semana passada, a Organização Mundial de Saúde (OMS) havia declarado que as mortes registradas em Kinshasa não estavam relacionadas com o vírus. Mas, ontem, o governo local desmentiu a entidade e admitiu a presença da epidemia.

Segundo as autoridades do Congo, os testes mostraram que duas pessoas morreram por causa do vírus. Outras 11 mortes também são suspeitas de terem sido causadas pelo Ebola e testes ainda estão sendo realizados. Até agora, o vírus estava concentrado apenas no oeste da África, em Serra Leoa, Libéria, Guiné e Nigéria. No total, 1.400 pessoas já morreram. Mas a esperança da OMS era conter a doença na área, ainda que fossem necessárias medidas draconianas e até a utilização do Exército.

Agora, mais uma nova operação terá de ser lançada, ainda que o governo do Congo admita não saber se a epidemia de Kinshasa está relacionada com os casos do oeste da África. As suspeitas já existiam desde a semana passada. Ontem, o ministro da Saúde do país, Felix Kabange Numbi, confirmou que dois dos oito testes realizados apontaram para a existência do vírus.

Segundo ele, uma zona de exclusão de 100 quilômetros seria estabelecida no entorno de Boede, cidade onde os casos foram registrados. Até hoje, o país já viveu sete surtos do Ebola desde 1976. "Declaro que existe uma epidemia de Ebola na região de Diera, território de Boende, na província do Equador", afirmou Numbi. A região está a 1.200 quilômetros da capital, Kinshasa.

O anúncio foi recebido como uma bomba na sede da OMS, em Genebra. Na sexta-feira, a entidade declarou, em entrevista à imprensa, que pelo menos 70 pessoas morreram na região citada pelo ministro. Mas elas haviam sido alvo de uma gastroenterite hemorrágica. Ontem, a OMS voltou a insistir que não teria como confirmar os casos em Kinshasa, já que os testes foram realizados pelas autoridades congolesas.

"Ninguém sai nem entra na região", insistiu ontem o ministro. Dos 13 mortos que estão sendo investigados, 4 são enfermeiras e um é médico. O governo de Kinshasa não esconde que teme que o número de mortes por causa do vírus seja bem maior. Por enquanto, 80 pessoas que tiveram contato com os dois casos confirmados e outros 11 suspeitos estão também sendo isolados.

Doentes contra a lei. Para a entidade com sede em Genebra, a dimensão do surto do Ebola é "sem precedentes". Em toda a África, o fim de semana marcou o estabelecimento de novas medidas de controle. No sábado, Serra Leoa aprovou uma lei transformando em crime esconder pacientes infectados pelo vírus. Costa do Marfim fechou suas fronteiras e impede voos entre sua capital e os países afetados. O mesmo foi adotado por Gabão, Senegal, Camarões e África do Sul. Mas a OMS insiste que banir viagens não resolverá o problema.

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