GABRIELA BILO / ESTADAO
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'Reserva é uma possibilidade, não uma obrigação', diz general Pazuello ao tomar posse como ministro

A presença de um militar da ativa em postos do primeiro escalão do governo gera incômodo entre integrantes das Forças Armadas. General assume definitivamente o posto na Saúde após quatro meses como interino

Jussara Soares e Emilly Benkhe, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2020 | 19h30
Atualizado 16 de setembro de 2020 | 19h39

BRASÍLIA – Após ser efetivado nesta quarta-feira, 16, como ministro da Saúde, depois de quase quatro meses como interino, o general Eduardo Pazuello não quis responder se fará a a passagem para a reserva remunerada. A presença de um militar da ativa em postos do primeiro escalão do governo gera incômodo entre integrantes das Forças Armadas.

“Reserva é uma possibilidade não é uma obrigação”, respondeu Pazuello ao ser questionado por jornalistas logo após a cerimônia.  

Em julho, Pazuello se tornou alvo de uma crise com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que disse que o Exército estava se associando a um "genocídio", se referindo à crise sanitária.

Diante das críticas à militarização da Saúde durante a pandemia, Bolsonaro passou a ser pressionado para substituir Pazuello. Integrantes do Exército temiam pela imagem da Força e queriam  que o general pedisse a transferência para a reserva caso resolvesse assumir o cargo em definitivo.

O desconforto entre integrantes das Forças Armadas com militares da ativa em postos de comando foi crucial para que o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, antecipasse sua ida para a reserva remunerada em junho deste ano. Ramos é o responsável pela articulação política do governo.

Entretanto, em meio à crise envolvendo o ministro Gilmar Mendes, o presidente Bolsonaro saiu em defesa de Pazuello nas redes sociais e elogiou a experiência do general em logística e administração. “Quis o destino que Gen. Pazuello assumisse a interinidade da Saúde em maio último. Com 5.500 servidores no Ministério, o Gen. levou consigo apenas 15 militares para a pasta. Grupo esse que já o acompanhava desde antes das Olimpíadas”, escreveu. Em maio, Bolsonaro já havia sinalizado que o general poderia ficar no cargo ao dizer que  ele ficaria "por muito tempo" no Ministério da Saúde.

Ministro volta a falar em vacinação em janeiro

Pazuello voltou a falar que a previsão é que a vacinação contra a covid-19 se inicie em janeiro. No entanto, ele afirmou que ela pode ser antecipada se os testes forem concluídos antes do programado. “O cronograma assinado é a partir de janeiro, com possibilidade de antecipar caso os testes e a conclusão da vacina seja antecipada”, disse.

O ministro afirmou que ainda não há uma estratégia fechada para o início da vacinação, mas citou que tem a expertise do Plano Nacional de Imunização (PNI) e que já há um público-alvo bem definido.

“Nós temos o maior plano de imunização do mundo, em termos de área atendida e vacinada. Então, essa expertise logística nós temos e temos também já bem claro os públicos-alvo. Então com certeza durante a pandemia nós pudemos verificar quais são os públicos-alvo mais sensíveis e você pode a partir daí avaliar que a gente tem já uma linha de trabalho em cima de públicos-alvo”, disse.

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