Resposta sobre Ebola demora porque doença é de pobres, diz Annan

Resposta sobre Ebola demora porque doença é de pobres, diz Annan

Ex-secretário-geral da ONU criticou falta de medicamentos e pessoal e disse que se epidemia fosse em região mais rica seria diferente

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

25 Setembro 2014 | 22h29

RIO - O ex-secretário-geral da ONU e Prêmio Nobel da Paz Kofi Annan disse há pouco, no Rio, que ficou "extremamente decepcionado" com a demora na resposta internacional à epidemia de Ebola na África Ocidental - sua região de origem - e ainda que isso aconteceu por se tratar de uma "doença dos pobres".

"Conhecemos o Ebola há 40 anos. Quando acontece algo assim, é preciso que haja isolamento dos doentes. Agora é que a comunidade internacional está começando a reagir, enviando medicamentos e pessoal", criticou Annan, natural de Gana, país próximo às nações mais afetadas. "Por que não encontram a cura? Porque para as doenças dos pobres não há remédios, não fazem pesquisas. Se fosse numa região mais rica, com um mercado melhor, seria diferente".


O Ebola já matou quase três mil pessoas desde março desde ano, nos cinco países por onde a epidemia se alastrou: Serra Leoa, Guiné, Libéria, Nigéria e Senegal.

Annan veio ao Rio para um evento privado, os 25 anos da agência de propaganda paranaense Heads. Para uma plateia de convidados, no hotel Copacabana Palace, ele falou sobre educação, mudanças climáticas e Oriente Médio, e ratificou sua defesa da descriminalização da maconha. Disse que a resolução anunciada pelo Conselho de Segurança da ONU, de limitação de viagens de estrangeiros que possam se unir a grupos radicais islâmicos, é "saudável", mas será de difícil cumprimento, uma vez que existem muitas fronteiras a serem monitoradas. 

Annan, que foi secretário-geral entre 1997 e 2006, defendeu a reforma do conselho, no qual o Brasil tenta ingressar como membro permanente. "A configuração atual reflete as forças geopolíticas de 1945 (quando a ONU foi criada). Hoje existem outras forças: Índia, Brasil, Indonésia, África do Sul... Eu gostaria de ver uma reforma".

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