Alexander Demianchuk/Reuters
Alexander Demianchuk/Reuters

Restrições a verbas da Aids ameaçam vidas, diz Médicos Sem Fronteiras

Recuo nas doações internacionais para a luta contra o vírus HIV pode reverter anos de progressos

Reuters

27 Maio 2010 | 10h54

LONDRES - O recuo nas doações internacionais para a luta contra a Aids ameaça reverter anos de progressos e já coloca vidas em risco, disse nesta quinta-feira, 27, a entidade Médicos Sem Fronteiras (MSF).

 

Veja também:

linkGoverno diminui importação de medicamentos para Aids e outras doenças          

linkVacinas contra H1N1 podem alterar teste de HIV no laboratório  

linkGoverno avalia ampliar antirretroviral para prevenir contágio por HIV

 

Em um relatório sobre a situação da Aids em oito países da África Subsaariana, a entidade disse que grandes doadores decidiram limitar, cortar ou suspender os gastos com o tratamento do vírus HIV no último ano e meio.

Os grandes doadores incluem os Estados Unidos, o Banco Mundial, a Unitaid (agência de fomento à saúde) e os apoiadores do Fundo Global.

"Como podemos abrir mão da luta na metade do caminho e fingir que a crise acabou?", disse Mit Philips, analista de políticas de saúde do MSF e um dos autores do relatório.

"Há um risco real de que muitos (...) morrerão dentro dos próximos anos se passos necessários não forem dados agora."

A ONU estima que 33 milhões de pessoas sejam portadoras do vírus HIV e que 9,5 milhões precisem de medicamentos contra a Aids, embora menos de metade não os receba.

O relatório do MSF diz que um programa do governo dos EUA, conhecido pela sigla Pepfar, reduziu seu orçamento para a compra de medicamentos contra a Aids neste ano e congelou todo o seu orçamento para o combate à doença.

Outros doadores, como a Unitaid e o Banco Mundial, também anunciaram reduções nos próximos anos para o financiamento às drogas anti-Aids no Maláui, Zimbábue, Moçambique, Uganda e República Democrática do Congo (RDC), disse o texto.

O Fundo Global, maior órgão de financiamento à luta contra a Aids, também enfrenta restrições. Estados Unidos, Holanda e Irlanda já anunciaram que reduzirão suas contribuições.

Esses cortes já são sentidos em lugares como África do Sul, Uganda e RDC, onde o número de novos pacientes tratados com antirretrovirais caiu a um sexto, segundo o relatório.

Como resultado, sistemas de saúde já frágeis sofrem mais pressão para atender um crescente número de pacientes, necessitando de cuidados cada vez maiores conforme a doença progride.

"Os tratamentos com antirretrovirais salvam vidas, mas são para a vida toda", disse o relatório. "Isso significa que o número de pacientes sob tratamento aumenta cumulativamente a cada ano, exigindo assim um financiamento cada vez maior e mais sustentável."

(Reportagem de Kate Kelland)

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.