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Rezar pelo Facebook deve continuar comum após pandemia, acreditam especialistas

Mesmo com o fim do isolamento social por causa do coronavírus, parte desse comportamento será mantido

Edison Veiga, Especial para O Estado

11 de abril de 2020 | 05h00

Pároco da Igreja de Cristo Rei, em Ipatinga, padre Eugênio Ferreira de Lima afirmou que foi pego de surpresa com a necessidade de cancelar as missas presenciais. "Não estávamos preparados", admite. "Mas agradeço muito a Deus pelos meios de comunicação que temos hoje."

Aprendeu a mexer com as 'Lives' e desde então faz pelo menos três por dia: uma missa, um terço e um momento de oração. "Não é um bicho de sete cabeças", diz ele, sobre a tecnologia. "Depois de uma meia hora de explicação de algum entendido, qualquer padre consegue fazer. Minhas transmissões podem não ser perfeitas, mas acredito que dá para as pessoas assistirem."

"Aprendi a usar a ferramenta e já decidi: quero, mesmo passado esse tempo de coronavírus, continuar usando para poder me comunicar com os paroquianos. Posso ter um momento para falar com eles, fazer perguntas, coisas que não dá para fazer na igreja na hora da missa", comenta.

Para o vaticanista Filipe Domingues, "isso se difundiu de forma positiva". "Inesperada, mas positiva. Os meios já existiam, mas não havia a necessidade. Agora virou o único meio possível", diz. "Há sempre alguns casos de falhas, tipo aqueles padres que estão aprendendo e erram o filtro do Instagram, né? Mas estão aprendendo. Isso é bem simbólico do momento: se vê que estão tentando mas nunca haviam feito isso antes."

Diretor do jornal O São Paulo e pároco da Nossa Senhora do Brasil, padre Michelino Roberto acredita que "algumas paróquias" devem continuar com as 'Lives' depois da pandemia. "Já há algum tempo tenho o hábito das transmissões online das missas, mas nunca rezei tanto quanto agora", comenta o padre Lucas Gobbo, da paróquia de São Geraldo, em Guarulhos. "É uma experiência nova, de um tempo novo - e precisamos utilizar."

Reorganização

No caso da Paróquia Imaculada Conceição, do bairro do Ipiranga, em São Paulo, padre Pedro Luiz Amorim Pereira conta que houve uma reestruturação das redes sociais. "Foi um momento de desafio. Antes nossas redes sociais eram apenas um mural para recados. Aconteceu isso da pandemia e os leigos tomaram a decisão de abraçar a evangelização via Facebook. Transformaram nossa página em algo que mais parece uma TV católica", diz ele. Na programação, feita por paroquianos e pelo padre, há rezas, encontros de jovens, reflexões - e missas, claro. Mas ele acredita que isso será encerrado depois da quarentena.

O sociólogo Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), acredita que o momento tem permitido a muitos padres e leigos a descoberta da “força e facilidade da comunicação virtual, antes dominada por algumas poucas ‘estrelas da internet’”. "Acredito que mais padres irão usar, num futuro próximo, as redes sociais e a internet não para substituir suas missas, mas para pregações, catequeses e podcasts com seus seguidores", comenta. "A bênção Urbi et Orbi (dada pelo papa no dia 27, com a praça São Pedro vazia) foi a primeira vez que um gesto tipicamente litúrgico ganhou primeiro plano na comunicação de um papa com toda a população mundial, crente ou não. Isso também terá um peso no uso futuro das novas mídias pela Igreja."

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