Rio cria triagem de leitos após morte de jovem grávida

A morte da gestante Joana Gomes de Almeida, de 17 anos, 22 horas depois de ter começado a procurar atendimento médico, levou a Secretaria de Estado da Saúde a discutir a criação de uma central de regulação de leitos materno e infantil em todo o Estado. Grávida de 36 semanas, Joana só foi atendida no quarto hospital em que esteve. O bebê dela, Pedro, também não sobreviveu. A causa da morte de Joana ainda não foi revelada pelo Instituto Médico Legal (IML). "Joana não pode ser apenas mais uma na estatística. Ela já deveria saber o hospital em que iria nascer seu filho, com um obstetra acompanhando seus exames antes do nascimento. Isso é o mínimo de dignidade que temos que oferecer à população. Em casos de emergência, a central de regulação leva a paciente para um local adequado", disse o secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes. A central será criada após levantamento para identificar o déficit de leitos de maternidades na Região Metropolitana. "A questão primeira é identificar o número de leitos que estão faltando. Depois temos duas atitudes a tomar: verificar dentro da nossa própria rede na Baixada Fluminense, seja municipal ou estadual, se nós podemos ampliar o número de leitos ou fazer a contratação de leitos privados para que possamos dar conta dessa necessidade", afirmou Côrtes. A secretaria espera ter esses dados em 15 dias. Côrtes informou que foi aberta sindicância para apurar a morte da jovem e ainda pediu ao chefe de Polícia, Gilberto Ribeiro, que acompanhe o inquérito policial que foi aberto na Delegacia da Tijuca. Processo A família da jovem decidiu processar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), administrado pelo Estado, que não atendeu ao chamado para socorrer Joana, a prefeitura de Duque de Caxias (a moça passou por duas instituições municipais), a maternidade Pro-Matre, que também não internou a adolescente, e o Hospital do Andaraí, onde ela morreu. "Tudo o que nós queremos é que situações como essa não se repitam, que outras jovens grávidas não morram por falta de atendimento", afirmou o primo de Joana, Flávio de Almeida da Silva. Filha de mãe solteira, Joana foi entregue ainda bebê para ser criada pela avó, Jandira Gomes de Almeida, de 84 anos. Como a mãe, a jovem também foi deixada pelo namorado ao engravidar. "Minha avó está desconsolada. A Joana era como se fosse a caçula. Na terça-feira ela começou a separar o enxoval que foi comprado com muita dificuldade. Vai mandar para o meu tio, que mora em Recife, que também vai ter filho", contou Flávio. A assessoria da Secretaria de Saúde de Duque de Caxias informou que Joana não apresentava nenhum sinal de tuberculose ou pneumonia, hipóteses levantadas pelos médicos do Hospital do Andaraí, onde a jovem chegou muito debilitada e foi submetida a uma cesariana de urgência, após sofrer duas paradas cardiorrespiratórias. Segundo nota divulgada pela assessoria, Joana foi atendida no Hospital Maternidade de Xerém, às 7h20 de domingo, com dores abdominais e "sem dilatação que indicasse estado iminente de parto". Ela foi encaminhada em ambulância para o Hospital Municipal de Duque de Caxias, onde foi medicada e orientada a aguardar. Segundo relato dos familiares, Joana quis deixar o hospital porque a emergência estava cheia e as dores não passavam. Ela procurou ainda a Pró-Matre, que só faz partos de baixo risco, e o Hospital do Andaraí, onde chegou muito debilitada às 17h10. Ela foi submetida à cesariana à 1h15. Pedro nasceu morto. Joana morreu às 4h35 de segunda-feira.

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