Rio oferece áreas da polícia contra epidemia de dengue

Batalhões e delegacias seriam usados para a montagem de hospitais de campanha e de postos de atendimento

Solange Spigliatti, estadao.com.br

02 de abril de 2008 | 11h24

O secretário de Segurança Pública do Estado do Rio, José Mariano Beltrame, colocou a secretaria à disposição para auxiliar no atendimento aos pacientes com dengue. Beltrame ofereceu nesta quarta-feira, 2, para a Secretaria da Saúde, as áreas da polícia, como pátios de batalhões e auditórios das delegacias. Uma provável ajuda viria do Batalhão de Jacarepaguá, localizado na zona oeste, onde é maior a incidência da doença. Segundo a SSP, os locais poderiam ser usados para a montagem de hospitais de campanha e de postos de atendimento.   Acompanhe o avanço da dengue   A grande procura de pacientes com suspeita de dengue provocou o esgotamento dos leitos na rede pública do Rio e a antecipação do horário de fechamento da maior estrutura de apoio montada pelas Forças Armadas já no segundo dia de atendimento, na terça-feira, 1. O Estado anunciou o aluguel de cem leitos na Santa Casa da Misericórdia, no Centro do Rio, e o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho, pediu à prefeitura que "pelo menos a metade" dos postos de saúde do município fiquem abertos 24 horas para amenizar a "carência de leitos".A Defensoria Pública da União entrará com ação civil pública exigindo a abertura dos postos no final de semana. Já os governos estadual e municipal do Rio têm 48 horas para comprovar o pronto-atendimento de pessoas com suspeita de dengue ou podem ter bloqueadas as verbas destinadas às políticas públicas não-prioritárias. A decisão foi da juíza da 10ª Vara de Fazenda Pública, Anna Eliza Duarte Diab Jorge, a pedido do Ministério Público, para garantir o cumprimento de liminar expedida na sexta e que determina que os doentes sejam encaminhados para a rede particular caso o SUS não consiga atendê-los. Na capital, segundo a Secretaria Municipal da Saúde, das 147 unidades de saúde, 21 ficam abertas 24 horas. O prefeito Cesar Maia rebateu e disse que o município dispõe "desde janeiro" de 130 postos para hidratação. O prefeito também prometeu a inauguração do Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, conhecido como Hospital de Acari, cuja construção terminou em 2004, para esta semana. A abertura da unidade ofereceria 298 leitos. Ontem, o governador Cabral participou da inauguração de 94 leitos de enfermaria pediátrica no Hospital Anchieta, no Caju. Alta demanda Menos de 48 horas após a inauguração, o hospital de campanha da Aeronáutica, na Barra da Tijuca, zona oeste, não suportou a grande procura e encerrou a distribuição de senhas antes do meio-dia, quando a capacidade de 400 atendimentos foi esgotada. "Até as 10h30, já tínhamos distribuído 217 senhas, ou seja, mais da metade de nossa capacidade. Encerramos a distribuição antes do meio-dia para evitar a degradação da qualidade do atendimento", disse o tenente-coronel Henry Munhoz, responsável pela comunicação da Aeronáutica. Em comparação com o mesmo horário do primeiro dia de funcionamento, nas primeiras horas da manhã o hospital recebeu o triplo de pacientes. Durante todo o dia de ontem, 407 pessoas foram atendidas e 267 casos de dengue foram clinicamente constatados, sendo 47 em crianças. Segundo a Aeronáutica, um fator que prejudicou o atendimento foi a ocupação dos leitos de hidratação por pessoas que, por falta de vagas na rede pública, ficaram no hospital da Aeronáutica. Nove Pacientes passaram a noite de segunda para terça-feira no local e ontem o número de "internados" subiu para 13, que foram transferidos após a intervenção do secretário estadual da Saúde, Sérgio Cortês. Porta de entrada   O secretário-adjunto de Vigilância do Ministério da Saúde, Fabiano Pimenta, defendeu a abertura das unidades básicas no Rio durante os fins de semana. A medida, disse ele, é essencial para reduzir a alta demanda nos hospitais. "Se o paciente encontra fechada a porta de entrada do sistema, que é o posto de saúde, ele vai para o hospital." De acordo com o secretário, a hidratação geralmente demora seis horas. "Se um posto fecha às 17 horas, ele só vai aceitar fazer hidratação de pacientes que chegarem até as 11."Os milhares de casos suspeitos de dengue registrados em Angra dos Reis, no litoral fluminense, colocaram o município de Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, em estado de atenção. "Estamos muito preocupados com a dengue, já que agora está mais próxima", disse o secretário da Saúde do município, Clingel Frota. Em 2007, Ubatuba registrou cerca de 4 mil casos de dengue. O infectologista e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Luiz Jacintho da Silva considera positivas as medidas emergenciais do governo do Rio, com a ressalva de que "é como colocar o trinco depois que o ladrão foi embora".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.