Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Rio registra primeira morte de sarampo neste século

Bebê de oito meses morreu em Nova Iguaçu, na Baixa Fluminense, onde há o maior registro de casos no Estado; previsão é que o Estado ultrapasse 10 mil casos da doença

Marcio Dolzan e Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2020 | 10h57
Atualizado 15 de fevereiro de 2020 | 19h09

RIO - O Rio de Janeiro registrou a primeira morte por sarampo em vinte anos. A vítima é um bebê de oito meses, que morreu no dia 6 de janeiro, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, região que registra o maior número de casos da doença no Estado. A doença, que é já foi considerada erradicada, vem ressurgindo em todo o país por causa da baixa cobertura vacinal.

Números da Organização Panamericana de Saúde (Opas) mostram que o Brasil é o País da América Latina com o maior número de casos da doença, 13 mil. É seguido de longe por Estados Unidos (1.276), e Venezuela (552).

"Como venho alertando desde 2019, é imprescindível que as pessoas se vacinem e que os pais levem seus filhos aos postos de saúde”, afirmou o secretário estadual de saúde, Edmar Santos. “A previsão é que o Rio ultrapasse os dez mil casos de sarampo. Esse número só pode ser evitado por meio da vacinação.”

Desde 2000, não havia nenhum registro de morte por sarampo no Rio. A doença foi considerada erradicada em todo país em 2016. Dois anos depois, no entanto, o Rio registrou 20 casos da doença. O número passou a 333 no ano seguinte. Agora, somente nos primeiros dias do ano, já foram registrados 189 casos.

Uma campanha de vacinação contra o sarampo lançada em 13 de janeiro tem por objetivo imunizar três milhões de pessoas, mas teve uma adesão muito baixa até agora: apenas 10% do público alvo. A Secretaria de Saúde garante que não há falta da vacina e afirma que todos os municípios estão abastecidos. Neste sábado, 15, aconteceu um “Dia D” da vacinação contra a doença em todo o País.

O bebê que morreu é David Gabriel dos Santos, que vivia em um abrigo e foi internado no Hospital Geral de Nova Iguaçu, em 22 de dezembro, com um quadro grave de pneumonia. Ele não havia recebido a primeira dose da vacina – que só pode ser dada após os seis meses de idade. Especialistas dizem, no entanto, que se a cobertura vacinal estivesse alta, no patamar ideal, a criança não teria sido infectada.

“O sarampo é uma doença que não precisava mais existir”, afirmou o infectologista Estevão Portela, vice-diretor de Serviços Clínicos do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz). “Diferentemente de outras, ela não circula em animais, apenas em seres humanos, e é totalmente prevenível com a vacina.”

O infectologista lembra que embora o sarampo tenha uma taxa de letalidade baixa (menor que 1%), trata-se de uma doença extremamente contagiosa (uma pessoa pode infectar até outras 20) e pode causar complicações graves a longo prazo.

“Há um potencial de complicações que não é desprezível; algumas delas, inclusive, irreversíveis”, disse Portela. “E a vacina não tem absolutamente nenhuma contraindicação.”

A recomendação da Secretaria estadual de Saúde é que todas as pessoas entre seis meses e 59 anos devem se vacinar. Quem não se lembra se tomou ou não a vacina deve também se imunizar, pois não há contraindicação. “As pessoas estão preocupadas com o coronavírus e não se vacinam contra o sarampo”, alertou Portela.

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