Rio tem 42 casos de dengue na primeira quinzena de janeiro

Números contrastam com os do início de 2008 quando a capital fluminense viveu a maior epidemia do país

Alexandre Rodrigues, de O Estado de S. Paulo,

19 de janeiro de 2009 | 19h16

Os números da dengue no Rio nas duas primeiras semanas de 2009 contrastam com os do início do ano passado. A capital fluminense, que sofreu em 2008 com uma das maiores epidemias dos últimos anos, registrou apenas 42 casos de dengue na primeira quinzena de janeiro. No mesmo período do ano passado, já contava mais de 4 mil doentes. Em todo o mês de janeiro de 2008, foram quase 12 mil registros. Mesmo assim, a cidade continua em alerta.  Veja também:Confirmados 17 casos de dengue na fronteira Paraguai-BrasilCasos de dengue diminuem 89,5% em 2008 em Santos Após 6 meses, São Paulo volta a registrar casos de dengueVibração das asas do Aedes pode ajudar no controle da dengueEspecial: O avanço da dengue  Os números não surpreendem as autoridades de saúde e especialistas, já que é pouco provável a repetição de uma epidemia em dois verões consecutivos sem a introdução de um novo tipo de vírus, mas o número de notificações é ainda menor do que o esperado. Como boa parte da população teve contato com os tipos 2 e 3 do vírus (estima-se que apenas 1/3 das pessoas desenvolve os sintomas) em 2008, criou-se uma espécie de imunidade. A preocupação continua alta por causa do perigo de reintrodução do tipo 1 ou da chegada do tipo 4. Isso porque o vetor da doença, o mosquito Aedes aegypti, continua presente. Embora os índices de infestação na cidade tenham caído em relação ao ano passado, a média ainda recomenda "alerta": estima entre 1% e 4% dos domicílios com focos. Para o secretário municipal de Saúde, Hans Dohmann, a explicação para menos doentes pode estar na série de frentes frias de novembro e dezembro de 2008, que somaram apenas 754 notificações. "Este janeiro está sendo diferente, mas isso não significa nenhuma tranquilidade. Embora tenha chovido muito, a chuva constante não deixou a água parada. Só agora está esquentando, com sol por vários dias. A alta temperatura acelera a eclosão de larvas e isso preocupa", diz o secretário, que mantém prevenção. "Não gosto do discurso de comemoração. Há o perigo de novos vírus e é preciso cuidado para não desmobilizar." Embora reconheça os efeitos das campanhas intensificadas em 2008 pelo governo estadual e pela criticada gestão do ex-prefeito Cesar Maia, Dohmann mudou a estratégia da prefeitura. Em vez de visitas esporádicas em todos os bairros, concentra esforços em áreas com infestação elevada. Na quarta-feira, 19, 150 agentes de endemias e bombeiros percorrerão 4,6 mil domicílios da região do Rocha (zona norte), onde a estimativa é de mais de 10% de casas com focos. "Por causa da epidemia, as pessoas estão mais conscientes", avalia. O infectologista Edimilson Migowiski, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), alerta que o número baixo de doentes não mede o perigo. Para ele, o que importa é a presença do mosquito. Se o vírus 4, que já foi encontrado em países vizinhos como a Venezuela, chegar ao Rio, todos estarão vulneráveis. A reintrodução do tipo 1 pode vitimar os menores de 20 anos. "O índice de infestação no Rio ainda é alto, ninguém pode ficar tranquilo com isso. Se nada for feito, criamos as condições para uma nova epidemia. O número de casos agora é secundário. O mais importante é a infestação", afirma.

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