Rio tem dengue porque não fez dever de casa, diz Cabral

A epidemia de dengue já matou pelo menos 67 pessoas; outras mortes podem ser confirmadas

Adriana Chiarini, O Estado de S. Paulo

04 de abril de 2008 | 12h39

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, voltou a criticar a administração do prefeito da cidade do Rio, Cesar Maia, em relação à política de prevenção à dengue, doença que é epidemia no município. "Acho que estamos tendo essa epidemia de dengue sobretudo pela qualidade do gasto na esfera municipal", disse o governador na abertura da reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). Acompanhe o avanço da dengue Depois em entrevista, Cabral afirmou em relação à doença que "não foi feito o dever de casa, o trabalho preventivo não vem sendo feito há mais de dez anos". De acordo com ele, essa atribuição é do município, mas, como não foi feita, o Estado está abrindo leitos para dengue e está instalando as tendas pediátricas para que as crianças doentes "não disputem atendimento nas emergências de hospitais com enfartados". Na quinta-feira, depois de três horas de reunião com secretários da Saúde de vários Estados, no Rio, o titular da pasta no Rio Grande do Sul e presidente do Conselho Nacional de Secretários da Saúde, Osmar Terra, anunciou a proposta de criação de uma Força Nacional de Saúde, nos moldes da Força Nacional de Segurança, que atuaria no combate de epidemias como a de dengue, que já matou pelo menos 67 pessoas no Rio.  Somente a partir de domingo ou segunda-feira, porém, começarão a chegar pediatras de outros Estados para atuar no atendimento da população fluminense. "Mais de cem estão garantidos", disse Terra. "Não houve qualquer receio ou vergonha de pedir ajuda. Estamos no meio de uma epidemia com crianças morrendo, aceitando qualquer ajuda", declarou o secretário do Rio, Sérgio Côrtes.  O prefeito Cesar Maia (DEM) ironizou a medida judicial que determina o atendimento 24 horas nos postos do município. "Se as matérias dizem que faltam profissionais de saúde e até autoridades falam em contratar em outros Estados e até países, os postos vão funcionar com quem?", escreveu. "Supondo que os postos operem funcionando 40 horas por semana, para funcionarem 24 horas por dia, 7 dias por semana, teriam que trabalhar 168 horas. Ou seja, teriam que mais que quadruplicar o número de médicos. E por que a pressão sobre a questão básica de falta de leitos não se dirige aos hospitais federais fechados?"  Na capital, foram confirmados 1.261 casos de quarta para quinta-feira - no total, são 37.908. São 44 mortos no município. Os hospitais de campanha das Forças Armadas tiveram mais um dia de sobrecarga. Para piorar, pacientes que procuravam o ponto de triagem da Aeronáutica foram furtados.

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