JF Diorio/AE
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Rio vai traçar perfil do dependente químico nas favelas para melhorar atendimento

Objetivo é implantar um serviço diferenciado para as pessoas viciadas em drogas, especialmente crack

Agência Brasil

02 Junho 2010 | 22h07

RIO DE JANEIRO - O perfil do dependente químico, principalmente de crack, nas comunidades populares do Rio de Janeiro será feito com o objetivo de implantar um atendimento diferenciado às pessoas que sofrem com o vício das drogas nessas regiões.

 

Os agentes de saúde do Programa Saúde da Família, técnicos da organização não governamental Viva Rio e especialistas do governo federal vão trabalhar, em conjunto, na identificação do problema.

 

O mapeamento é uma das orientações definidas nesta quarta-feira, 2, por especialistas nacionais e estrangeiros que discutiram durante dois dias os problemas no combate e prevenção do uso do crack na capital fluminense.

 

De acordo com o diretor executivo da Viva Rio, Rubem César Fernandes, a ideia é reunir informações sobre o consumo de drogas nas favelas cariocas, suas consequências e o impacto da política atual. Será feito um levantamento dos programas que já existem, como os coordenados pelas igrejas, e definir os instrumentos que ainda precisam ser implantados.

 

"O sonho é que a gente tenha de fato uma política de enfrentamento e prevenção de drogas nas favelas do Rio - e não só a guerra das drogas, que só produz morte e medo - para partir para uma política de prevenção, diminuição do consumo e redução dos danos", afirmou.

 

O assessor de Saúde Mental para Área de Álcool e Drogas da Secretaria Municipal Saúde do Rio de Janeiro, Sérgio Alarcon, disse que conhecer os dependentes químicos das comunidades populares vai permitir a implantação de uma política de atendimento diferenciado, considerando as especificidades de cada área da cidade.

 

"O que nós pretendemos implantar é um sistema territorializado. Ou seja, que avalie caso a caso os problemas de acordo com a situação cultural. As ações sobre os problemas do álcool e das drogas não podem ser meramente médica e psicológica, precisam ser complexas e intersetoriais, porque influenciam a vida das pessoas, no tipo de vida que levam, nas relações com a família e de empregabilidade", disse Alarcon.

 

O coordenador do Programa Saúde da Família no Rio de Janeiro, Gert Wimmer, acredita que a mudança no tratamento dos dependentes de drogas é um processo de longo prazo que exige uma adaptação tanto dos agentes que atuam nas comunidades quanto da própria população.

 

"Os problemas que se apresentam para as equipes vêm sem filtro, não obedecem a lógica do atendimento médico. Portanto, eles exigem uma aproximação intersetorial e construções coletivas. Há certas demandas que, se a gente não traz a população para a [sua] construção, a gente tende a abordar de forma superficial e não entender o tamanho do problema que está posto", disse Wimmer.

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