Arquivo/AE
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Risco de bioterrorismo pode aumentar após censura de revista científica

Segundo especialistas, evitar publicação de estudo sobre a gripe aviária H5N1 não deve deter as pessoas mal-intencionadas em usar o vírus como arma

Reuters,

21 de dezembro de 2011 | 14h59

Uma série de laboratórios em todo mundo pode transformar o vírus da gripe aviária em armas de bioterror capazes de provocar uma pandemia humana. Os esforços do governo norte-americano para censurar a pesquisa devem apenas aumentar o risco de que elementos perigosos tentem usar o vírus como arma.

Especialistas afirmam que uma exigência sem precedentes do Painel Consultivo para Biossegurança (NSABB), dos Estados Unidos, para que a revista científica 'Science' não divulgue detalhes da pesquisa sobre a gripe aviária H5N1 não deve deter as pessoas mal-intencionadas.

Ironicamente, o fato de o potencial do H5N1 ter se tornado manchete pode dar ideias a pessoas erradas.

"Qualquer coisa assim tem o potencial de dar ideias a rebeldes", disse Peter Openshaw, diretor do centro para infecção respiratória e do Imperial College, da Grã-Bretanha.

"Há muitas pessoas loucas por aí e há também pessoas com ideias fixas na extremidade da norma política. Os dois grupos têm o potencial de causar danos."

A gripe aviária H5N1 é bastante letal a pessoas que forem contaminadas diretamente por aves infectadas.

Desde que o vírus foi detectado pela primeira vez em 1997, cerca de 600 pessoas o contraíram e mais da metade delas morreu. Até agora, no entanto, ele não sofreu mutação para uma forma capaz de ser disseminada facilmente de pessoa a pessoa.

Cientistas de todo mundo têm trabalhado há anos tentando descobrir quais mutações dariam ao H5N1 a capacidade de se espalhar com facilidade de uma pessoa para outra e ao mesmo tempo manter suas propriedades letais.

Os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA financiaram dois grupos de pesquisa, um na Holanda e outro no Estado norte-americano de Wisconsin, para estudar como o vírus pode ser mais transmissível em humanos.

O objetivo era saber como conter uma ameaça à saúde pública no caso de uma mutação natural, mas agora o NSABB diz que quer censurar a publicação dos estudos para impedir que a informação caia em mãos erradas.

"É um trabalho muito importante que mostrou com relativa facilidade que é possível transformar o H5N1 em um vírus transmissível de mamífero para mamífero", disse Openshaw.

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