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Miguel Medina/AFP
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Risco de coagulação sanguínea pode ser até 10 vezes maior em quem teve covid do que entre vacinados

Pesquisa da Universidade de Oxford divulgada nesta quinta-feira, 15, ajuda a contextualizar os casos raros de coagulação observados em vacinados e mostra os reais riscos e benefícios das vacinas contra a covid-19

Mariana Hallal, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2021 | 09h41

Um estudo divulgado nesta quinta-feira, 15, pela Universidade de Oxford mostra que o risco de pacientes diagnosticados com covid-19 apresentarem casos de trombose cerebral é cerca de dez vezes maior do que entre as pessoas vacinadas. Para os cientistas que assinam a pesquisa, isso ajuda a contextualizar os casos raros de coagulação observados em vacinados e mostra os reais riscos e benefícios das vacinas contra a covid-19.

Para a análise, os cientistas consideraram a incidência de trombose venosa cerebral e trombose da veia porta (que leva sangue dos intestinos para o fígado) nas duas semanas após o diagnóstico da covid-19. O estudo incluiu dados anonimizados de 513.284 pacientes, a maioria dos Estados Unidos, disponíveis na plataforma TriNetX, que reúne informações sobre saúde.

Entre os registros observados, 20 pessoas apresentaram trombose venosa cerebral, uma incidência de 39 casos por milhão de pessoas. A taxa é cerca de dez vezes maior do que a observada entre as pessoas que receberam as vacinas da Pfizer ou da Moderna (4,1 em um milhão) e oito vezes maior do que a observada entre os imunizados com a vacina de Oxford/AstraZeneca (5 por milhão). 

Outros 224 pacientes tiveram trombose da veia porta após duas semanas do diagnóstico de covid, taxa de 436,4 casos por milhão. Esse índice é 9,5 vezes maior do que o observado entre aqueles que receberam as vacinas da Pfizer e da Moderna (44,9 por milhão) e 272 vezes superior ao relatado por pessoas vacinadas com o imunizante de Oxford/AstraZeneca (1,6 por milhão). 

Na população em geral, a taxa de incidência de trombose cerebral em qualquer período de duas semanas é de 0,77 por milhão, enquanto a de trombose da veia porta é de 4,1 por milhão.

A neurologista Ana Paula Peña, da Rede D’Or, diz que a covid predispõe o organismo a formar coágulos sanguíneos, especialmente dos grandes vasos, o que explica os casos de trombose cerebral e da veia porta. “O processo inflamatório da doença deixa o sangue mais grosso, o que pode levar à trombose”, explica. Ela diz que também são observados casos de acidente vascular cerebral (AVC) e de infarto do miocárdio nesses pacientes. 

“Se a vacina aumenta a chance de desenvolver trombose, essa chance é infinitamente menor do que os quadros de AVC, trombose e infarto que vemos em pacientes de covid. As pessoas não devem ter medo da vacina, mas sim de ter covid e desenvolver trombose.” 

A trombose venosa cerebral, explica, é uma doença extremamente grave e, em muitos casos, fatal. Também pode deixar sequelas semelhantes às do AVC, fazendo a pessoa perder a visão ou ficar com parte do corpo paralisada. Já a trombose da veia porta prejudica o funcionamento do fígado, porque interrompe o fluxo de sangue que vai para o órgão.

Ana Paula alerta que os principais sintomas da trombose cerebral são dor de cabeça súbita e muito mais intensa do que a habitual, alteração visual, desmaio, crise convulsiva e confusão mental. Nesses casos, é recomendado procurar um pronto-socorro imediatamente.

Entenda

Nas últimas semanas, casos de coagulação sanguínea relacionados às vacinas contra a covid-19 surgiram em diversos países. Os primeiros estavam ligados ao imunizante de Oxford/AstraZeneca e mais recentemente surgiram casos possivelmente vinculados às vacinas da Pfizer, da Moderna e da Janssen — ainda em investigação. 

Depois de várias análises, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) confirmou a relação dos casos com o imunizante de Oxford, dizendo que esse efeito colateral é muito raro. A agência e a Organização Mundial de Saúde (OMS) destacaram que o benefício da vacina é muito superior ao seu risco e que ela pode continuar sendo administrada.

 

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