Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Risco de dengue cresce com mudanças climáticas, diz pesquisa

Primeiros mapas da vulnerabilidade da Universidade das Nações Unidas mostram que áreas hoje frias podem ficar ameaçadas

Magdalena Mis, Reuters

23 Dezembro 2014 | 09h27

LONDRES - Grandes partes da Europa, do oeste e do centro da África e da América do Sul enfrentam a ameaça de surtos de dengue por causa de mudanças climáticas e da maior urbanização, de acordo com os primeiros mapas da vulnerabilidade à doença divulgados nesta terça-feira, 23.

Pesquisa da Universidade das Nações Unidas descobriu que a dengue, transmitida pela picada de mosquitos e que pode levar à morte, está se movimentando, e os mapas que indicam as áreas vulneráveis são uma ferramenta para ajudar a prevenir surtos. 

"Mudanças no clima podem resultar em um aumento da exposição e representar uma ameaça grave a áreas que não sofrem com a dengue endêmica no momento”, disse o relatório. 

Os pesquisadores afirmaram que, à medida que o planeta aquece, a dengue pode alcançar grandes porções da Europa e regiões montanhosas da América do Sul, áreas hoje muito frias para abrigar os mosquitos durante o ano inteiro. 

A previsão é de que a doença também se espalhe nas regiões central e ocidental do continente africano, onde o saneamento básico e o serviço de saúde são insuficientes. 

Os novos mapas ilustram a expansão e a contração da vulnerabilidade à dengue durante o ano, mostrando os locais críticos e onde o vírus pode se tornar perigoso. Assim, os países poderiam fazer o monitoramento. 

"Vimos em relação ao Ebola que neste mundo globalizado em que vivemos doenças infecciosas podem viajar”, disse Corinne Schuster-Wallace, pesquisadora da Universidade das Nações Unidas.

"As condições dessas doenças são dinâmicas, e, uma vez que estamos mudando o nosso padrão social e ambiental, a distribuição global de doenças como a dengue vai mudar.” 

Embora os mapas não tenham sido feitos para prevenir surtos, ela disse que, se os mosquitos e o vírus chegarem em áreas vulneráveis, a dengue pode se tornar endêmica nesse lugar. 

Não há vacina para a dengue, doença que mata um número estimado de 20 mil pessoas por ano e infecta até 100 milhões, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). 

No entanto, alguns especialistas afirmam que o número de pessoas infectadas por ano possa ser mais de três vezes a estimativa da OMS. 

O atual método para combater a dengue é a fumigação dos locais de reprodução dos mosquitos. 

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