Risco de epidemia de Ebola no Brasil é muito baixo, diz especialista

Alberto Chebabo, do Hospital Universitário Clementino Fraga, explica forma de contágio e analisa medidas do Ministério da Saúde

Entrevista com

Alberto Chebabo

O Estado de S. Paulo

10 Outubro 2014 | 22h28

Souleymane Bah, de 47 anos, primeiro paciente no Brasil suspeito de estar infectado por Ebola, não apresentou, nesta sexta, 10, febre, hemorragias, vômito ou diarreia, sintomas clássicos da infecção. Mas exames anteriores à internação apontaram anemia e infecção viral aguda. Novos testes, que devem ser divulgados neste sábado, apontarão se paciente tem ou não Ebola.

O infectologista do Hospital Universitário Clementino Fraga, Alberto Chebabo, explica que risco de epidemia no Brasil é baixo e que não há possibilidade de transmissão durante o período em que o vírus está incubado. 

Há risco de epidemia no Brasil? 

É muito baixo. O que pode acontecer são casos secundários, como aconteceu com a enfermeira na Espanha - uma pessoa que teve contato com um paciente e acabou contaminada. Mas, se acontecer, as pessoas que tiveram contato são isoladas e o contágio é contido. Não se transforma em epidemia. 

Se o africano estiver com Ebola, ele pode ter contaminado alguém nos 20 dias em que ficou no Brasil? 

Não há transmissão durante o período em que o vírus está incubado. Nem mesmo há risco para as pessoas que estavam com ele na sala de espera da UPA. Não há transmissão por via respiratória. O contágio se dá por contato com fluidos, como sangue, sêmen. Mesmo que ele tenha espirrado na sala de espera, as pessoas não seriam contaminadas. 

As medidas tomadas pelo Ministério da Saúde foram corretas? 

Pelo que se viu, sim. Diagnosticaram o caso suspeito, isolaram o paciente, o transporte foi feito de forma segura para um hospital de referência e o envio do sangue colhido foi para o Instituto Evandro Chagas, no Pará. É o único laboratório que tem nível de segurança adequado para lidar com esse tipo de amostra. Há todo um protocolo de segurança, que vai desde a instalação até o manuseio para evitar que o vírus se dissemine. O laboratório está preparado para lidar com vírus de alto contágio, que podem até ser usados como arma química. 

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