Leo Caldas|Estadão
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Risco de microcefalia associada ao zika é estimado entre 1% e 13%

Estudo de pesquisadores dos Estados Unidos trabalhou com dados de ocorrência na Polinésia Francesa e na Bahia; chance é referente ao terceiro trimestre de gravidez

Giovana Girardi, O Estado de S. Paulo

26 Maio 2016 | 19h54

Qual é a chance de o vírus zika causar problemas no desenvolvimento do cérebro de bebês cujas mães foram infectadas? Pouco mais de um ano após a epidemia atingir o Brasil, a questão que ainda mobiliza a comunidade científica começa a ter sinais de resposta. Um novo estudo, divulgado anteontem na revista New England Journal of Medicine, estima que o risco pode ser entre 0,88% e 13,2%.

A estimativa foi feita por pesquisadores do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos e da Escola de Saúde Pública de Harvard, que desenvolveram um modelo matemático a partir de dados da epidemia de zika que ocorreu na Polinésia Francesa entre 2013 e 2014, associados com o surto na Bahia, um dos Estados mais afetados no País.

Estudo anterior, publicado em março, havia estimado que para a ilha do Pacífico o risco de microcefalia provocado por zika no primeiro trimestre de gravidez tinha sido de 0,95%. 

Isso foi calculado com base em oito casos de microcefalia identificados em uma população de 270 mil pessoas, com taxa de infecção de zika estimada em 66%.

De acordo com os pesquisadores, a taxa de infecção para a Bahia, porém, não é tão clara, e eles trabalharam com uma faixa ampla de 10% a 80%. A equipe também considerou a linha de base natural de ocorrência de microcefalia, que seria de 2 a 12 casos por 10 mil nascimentos. 

A partir desses números se chegou à faixa de risco para microcefalia entre 0,88% (quando se assume um risco de infecção por zika de 80%) a 13,2% (quando se considera 10% de taxa de infecção). Eles apontam que a partir do segundo e do terceiro trimestre de gravidez o risco de microcefalia é bem menor.

No artigo, os autores destacam a proximidade do valor mais baixo com o registrado na Polinésia, “especialmente se as taxas de infecção na Bahia foram altas”. Mas ressalta que ainda são muitas as incertezas e limitações desse tipo de estudo por conta dos dados limitados de infecção por zika. 

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