Risco de obesidade na juventude é quatro vezes maior em crianças obesas

Estudo avaliou mais de 7 mil estudantes, acompanhados do jardim da infância à oitava série

Gina Kolata, New York Times

30 Janeiro 2014 | 16h41

Um estudo importante publicado nesta quinta-feira, dia 30, no "The New England Journal of Medicine", com mais de 7 mil crianças, revelou que um terço dos voluntários que estavam acima do peso quando entravam no jardim da infância continuavam obesos quando chegavam à oitava série. Também quase a totalidade das crianças que era muito obesa permanecia com o peso bem acima do considerado saudável nesse mesmo período.

Algumas crianças obesas ou acima do peso analisadas no estudo perderam o excesso do peso e outras de peso normal tornaram-se obesas ao longo dos anos. Mas o risco de que uma criança obesa no jardim de infância também se torne obesa na oitava série é quatro vezes maior que o de crianças com peso normal, conclui o estudo.

"A mensagem principal é que a obesidade é estabelecida muito cedo na vida e que, basicamente, segue também na adolescência e na idade adulta", diz Ruth Loos, professor de medicina preventiva da Icahn School of Medicine, em Nova York.

Esse resultado surgiu a partir de um estudo que rastreou o peso corporal de crianças por anos, do jardim da infância até a oitava série. Segundo pesquisadores, isso remodela iniciativas de combate à epidemia de obesidade e sugere que os esforços devem começar mais cedo e serem focados em crianças com maior risco.

Os resultados não explicam por que isso ocorre. Predisposições genéticas e ambientes que estimulem às crianças a comer mais são algumas das razões apontadas por especialistas.

Mas os resultados fornecem uma possível explicação para o fato de que muitos dos esforços feitos para que as crianças percam peso muitas vezes não surtem efeitos. A explicação pode estar no fato de que muitas campanhas de combate à obesidade focam em crianças em idade escolar, quando o trabalho deveria começar antes, em crianças matriculadas no jardim da infância.

Estudos anteriores já relacionaram a obesidade à idade de crianças, mas não havia uma avaliação sobre a mudança do peso delas com o passar do tempo. Embora importantes para documentar a extensão da obesidade infantil, essas pesquisas deram um quadro incompleto de como a condição se desenvolve, disseram pesquisadores.

"O que é surpreendente é a diminuição relativa na incidência após essa explosão inicial da obesidade, que ocorre aos 5 anos de idade", explica Jeffrey P. Koplan, vice-presidente do Emory Global Health Institute, em Atlanta. "É quase como se o estudo dissesse que, caso você consiga chegar ao jardim da infância sem aumento de peso, as chances de você não se tornar obeso são imensamente maiores."

Koplan, ex-diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, não esteve envolvido no estudo, embora o seu principal autor, Solveig A. Cunningham, seja professor assistente na Escola de Saúde Pública de Emory.

O levantamento estudou 7.738 crianças de uma amostra nacionalmente representativa. Os pesquisadores mediram a altura e o peso dos participantes sete vezes, do maternal até a oitava série.

Quando as crianças entraram jardim de infância, 12,4 % eram obesas e 14,9 % estavam acima do peso. Na oitava série, 20,8 % eram obesas e 17 % estavam acima do peso. Metade das crianças que era obesa no jardim da infância permanecia obesa quando chegava à oitava série e quase 3/4 dessas crianças que eram muito obesas permaneciam obesas na oitava série.

Raça, etnia e renda familiar foram variáveis importantes para a definição do peso em crianças mais novas, mas no momento em que as crianças com excesso de peso chegavam aos 5 anos de idade, esses fatores não afetavam o risco de aumentar de peso nos anos seguintes.

O estudo não acompanhou crianças antes do jardim da infância, mas os pesquisadores tinham o peso do nascimento de cada um. Crianças com sobrepeso, muitas vezes, eram bebês pesados (acima de 4,5 quilos) - dados que outros estudos também têm encontrado.

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