Ministério da Defesa/ Divulgação
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Rondônia pede leitos de outros Estados, mas pacientes da covid-19 resistem a transferências

Estado sofre com colapso de hospitais e falta de vagas; ideia era remanejar cerca de 50 doentes

Quétila Ruiz, Especial para o Estadão

25 de janeiro de 2021 | 19h32

PORTO VELHO - Em colapso por causa do excesso de internações pela covid-19, Rondônia fechou parceria para transferir cerca de 50 pacientes das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Porto Velho para o Rio Grande do Sul, mas os doentes estão se recusando a fazer o deslocamento. O Estado do Norte sofre com o colapso do sistema de saúde e com falta de vagas. 

Segundo o secretário estadual da Saúde, Fernando Máximo, esse grupo está em enfermarias, os leitos clínicos, e como estão conversando, não querem viajar. Com isso, está sendo montada força tarefa com médicos, assistentes sociais e psicólogos para tentar convencer pacientes. O Ministério da Saúde ofereceu duas aeronaves com 15 lugares cada para o transporte.

Enquanto alguns pacientes não querem ser transferidos, parentes de outros buscam vaga. "Meu irmão está com covid-19 e precisa ser internado. Ele está sentindo falta de ar, tossindo muito. Ficamos sabendo que vão transferir alguns pacientes para outra cidade, já que aqui não tem mais UTI. Estamos querendo saber como vai ser isso, se ele pode ser transferido também. Estamos tentando informações", disse Valéria Ribeiro, vendedora, que estava em frente ao Hospital Cemetron.  

O governo de Rondônia quer se precaver e evitar que esses pacientes acabem na UTI, porque o Estado vive uma situação de pré-colapso. Se forem para UTI, é possível que não recebam atendimento adequado”, disse o diretor do Departamento de Regulação Estadual, Eduardo Elsade.

“A solidariedade não tem distância nem fronteiras. Atendendo a pedido do Ministério da Saúde, vamos receber, na terça-feira, 50 pacientes clínicos de coronavírus de Rondônia, que deverão ser internados em hospitais de Porto Alegre e Canoas”, anunciou nas redes sociais o governador em exercício, Ranolfo Vieira Júnior (PTB), neste domingo, 24.

Após a falta de oxigênio em hospitais, o sistema de saúde de Manaus também entrou em colapso há onze dias. Para desafogar a rede, centenas de pacientes foram transferidos do Amazonas para outros locais do Brasil. 

Rondônia também sofre com o baixo número de profissionais capacitados para trabalhar nas UTIs. O secretário tem publicado vídeos nas redes sociais pedindo para que os profissionais se apresentem para trabalhar e suprir as necessidades. A presidente do Sindicato Médico de Rondônia, Flávia Lenzi, confirmou a escassez de médicos especializados para atendimento nas UTIs do Estado. 

“A falta de profissionais é no Pais inteiro. Em todos os locais onde extrapola o número de casos, acaba faltando médicos especializados em UTIs. Temos médicos de outras áreas que se dispuseram a trabalhar, tem médicos que tiveram antecipadas suas formatura", afirma Flávia. "Mas o grande entrave que tivemos foi questão salarial, de pessoas que trabalharam e não receberam, que receberam com atrasos." Segundo ela, outro problema é a falta de equipamentos de proteção individual (EPIs). 

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