Ascom/Secom
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Roraima reabre hospital de campanha e tem pico de ocupação de leitos

Com a reabertura do espaço, agora chamado Hospital Estadual de Retaguarda, Porto Velho ganhou mais 120 leitos clínicos

Paola Carvalho, Especial para o Estadão

01 de fevereiro de 2021 | 21h22

Diante do aumento de casos e mortes pela covid-19 em Roraima, o Estado decidiu reativar um hospital que funcionou como unidade de campanha no ano passado. Com a reabertura do espaço, agora chamado Hospital Estadual de Retaguarda, Porto Velho ganhou mais 120 leitos clínicos. A rede de saúde, no entanto, continua sob forte pressão. Vizinho ao Amazonas, Roraima teme sofrer colapso semelhante e também a chegada da nova variante do coronavírus, identificada pela primeira vez em Manaus

O percentual de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) permaneceu acima dos 60% durante a última semana, com pico para uso dos no final de semana. O boletim da Secretaria Estadual da Saúde aponta que, inicialmente, o percentual de ocupação dos leitos de UTI era de 78% (domingo e segunda), passando para 64% (terça) e 66% (quarta), para depois voltar a subir para 74% (quinta) até 100% (sexta e sábado). No domingo, o índice permaneceu alto com 94%.

Avaliando somente a abertura de novas vagas, os dados do boletim apontam que na semana passada eram 60 leitos de UTI, 16 leitos para atendimento semi-intensivo e 287 leitos clínicos, entre adultos, crianças e recém-nascidos. No domingo, 31, eram 70 leitos de UTI, 15 semi-intensivos e 445 clínicos. O Estado também anunciou no domingo, 31, a abertura de mais 12 leitos de UTI no Hospital Geral de Roraima (HGR), fazendo o total de leitos de UTI subir para 82.

O monitor de sistema eletrônico de segurança Warleson de Araújo, de 27 anos, foi uma das pessoas que procuraram a rede estadual de saúde nos últimos dias para atendimento. O jovem se cuidava em casa até piorar e precisar de oxigênio. 

Ele explica que, no HGR, onde se concentram os atendimentos de covid no Estado, esperou algumas horas para fazer a triagem por causa da alta demanda e a ocupação de pessoas nos corredores, algumas à espera de vaga. Foram necessárias mais algumas horas para conseguir um leito.“As pessoas estão sendo medicadas e alimentadas nos horários corretos, só que às vezes tem um pouco de dificuldade para fazer um atendimento, uma fisioterapia”, declarou.

O médico infectologista Joel Terra, que atua no HGR, explica ainda que houve uma melhora nos últimos dias por causa da expansão progressiva do número de leitos, mas a unidade de saúde ainda necessita de pontos de oxigênio. “Não sabemos como vai se portar esse aumento de casos graves nas próximas semanas, então é preciso de mais leitos. Há a necessidade de reforçar todas as unidades do interior com leitos de UTI e de casos moderados. Faltam também treinamento e mais profissionais, com melhor remuneração nas emergências e unidades de terapia intensiva”, declarou o profissional. Procurada, a gestão estadual não se manifestou. 

O governo roraimense e a prefeitura de Boa Vista adotaram medidas para evitar a circulação de pessoas, como o fechamento de comércios de alimentos a partir das 15h e nos finais de semana, podendo funcionar só em serviço de delivery. Também foi implementado toque de recolher a partir das 22h (na capital e outros municípios como Bonfim, Pacaraima e Rorainópolis), além da suspensão da reabertura das escolas públicas e particulares. 

As aulas na rede privada haviam retornado em algumas escolas no início da última semana, mas foram suspensas pela gestão municipal. Já na rede pública, estavam previstas para voltar nesta segunda-feira 1º, e também foram suspensas. Não estão sendo oferecidas nem mesmo atividades remotas. 

A Secretaria de Saúde do Estado de Roraima informa que todos os pacientes estão sendo assistidos pela equipe multiprofissional do HGR (Hospital Geral de Roraima Rubens de Souza Bento), seja nas UTIs (Unidade de Terapia Intensiva), seja nos blocos de enfermaria ou no Pronto Atendimento Airton Rocha.

A Sesau ressalta que nos últimos seis meses já aumentou em 265% o número de leitos de UTI somente no HGR. E está em curso o trabalho contínuo de ampliação de leitos para que seja ampliada a capacidade de tratamento, o que inclui a abertura de 12 novos leitos de UTI, somando um total de 62 leitos de UTI, 15 leitos de tratamento semi-intensivo e 229 leitos de enfermaria.

"As medidas urgentes de enfrentamento da COVID-19 incluem ainda a requisição de leitos na rede particular, medida que já foi adotada e se necessários poderão ser utilizados, conforme aumento da demanda", afirma a pasta.

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