Rótulos de alimentos terão alerta de gordura trans

A decisão segue uma vigilância da qualidade dos alimentos que se fortalece no Brasil e em outros países, como Estados Unidos. A gordura trans é seu novo alvo. As empresas têm até o dia 31 de julho para se adequar às novas regras. Elas foram escritas com os órgãos de vigilância de saúde dos demais países do Mercosul, para facilitar o trânsito dos produtos. Em grandes quantidades, a gordura trans, ou ácido graxo transverso, é perigosa para a saúde, como demonstram pesquisas feitas nos últimos cinco anos. Ela aumenta o nível do colesterol ruim e diminui o do colesterol bom, piorando a situação de quem já tem propensão a doenças cardíacas. Se para a saúde ela é perigosa, para a indústria alimentícia a gordura trans é básica. Ela permite que os alimentos sejam consumidos em temperatura ambiente e conserva o produto por mais tempo, além de deixar tudo mais crocante e apetitoso. Poucas empresas até agora acharam substitutos saudáveis que mantenham o sabor. A Organização Mundial da Saúde recomenda que a gordura trans não ultrapasse 1% do consumo calórico diário. Isso significa que, em uma dieta de 2 mil calorias, a nova referência usada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o consumo de trans deve ser de no máximo 2 gramas. A nova resolução não exige que a tabela nutricional contenha essa informação, nem como comparativo para o consumidor. "Não podemos recomendar o consumo mínimo de uma coisa ruim, como a gordura trans", justifica a gerente de produtos especiais da Anvisa, Antonia Maria de Aquino. Providências - As indústrias de alimentos estão correndo para se adaptar às novas regras da Anvisa e mudar suas embalagens. A Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs) analisa 33 cortes de suínos para determinar a quantidade de gordura trans. A entidade já avaliou pernil da Perdigão, Seara, Cotrigo, Cotrel e Aurora. "Fui para os Estados Unidos no fim do ano passado e os americanos falam sobre gordura trans o tempo inteiro", diz Pedro de Camargo Neto, presidente da Abipecs. A gordura trans deve ser a próxima fobia alimentar, acha Neto. Ele comemora os resultados das primeiras análises feitas na carne de porco - ela contém 0% de gordura trans. "Queremos combater o mito de que carne de porco não é saudável." O frigorífico Frigoeder Santo Amaro também já começou a realizar as análises em salsichas e outros embutidos. Adriano Olmeda, diretor-presidente da empresa, apóia a iniciativa, apesar dos custos com mudanças de embalagem e análises. Mas, para ele, o governo deveria fazer uma campanha de conscientização sobre a gordura trans - algo que a Anvisa tem preparado para os próximos meses. "Eu acredito que 95% da população não sabe o que é gordura trans, as pessoas só conhecem colesterol." Alerta Mundial - O McDonald's, a maior cadeia de restaurantes do mundo, divulgou que suas batatas contêm um terço a mais de gorduras trans do que era conhecido até agora. Isso significa que o nível de trans numa porção grande de batatas é de 8 gramas, com a gordura total subindo para 30 g. Os números anteriores eram de 6 e 25 gramas, respectivamente. O restaurante disse que a melhoria no processo de testes tornou os resultados mais precisos.

Agencia Estado,

10 de fevereiro de 2006 | 11h25

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