Rumo a Plutão, sonda capta novos mistérios em Júpiter

Ondas que percorrem a atmosfera desafiam modelos teóricos; detecção de relâmpagos surpreende

Carlos Orsi, estadao.com.br

09 de outubro de 2007 | 15h41

Era apenas uma passagem para ganhar impulso rumo aos limites do Sistema Solar, mas a visita da sonda New Horizons ao sistema do planeta Júpiter acabou gerando um calhamaço de novos dados científicos e algumas surpresas sobre o maior planeta da família do Sol - incluindo a detecção de relâmpagos sobre as regiões polares, fazendo do gigante o único outro mundo, além da Terra, onde tempestades elétricas já foram vistas em altas latitudes.   As descobertas trazidas pela sonda serão descritas na edição desta semana da revista Science, e foram apresentadas nesta terça-feira, 9, durante reunião da Divisão de Ciências Planetárias da Associação de Astronomia dos EUA.   A New Horizons passou pela órbita de Júpiter em 28 de fevereiro, a fim de usar a gravidade do planeta para ganhar velocidade rumo a Plutão, onde deverá chegar em 2015. Trata-se da oitava nave a visitar o sistema.   Com equipamentos mais modernos e diferentes dos carregados pelas sondas anteriores, a New Horizons foi capaz de registrar o ciclo de vida e morte das nuvens de amônia que surgem na atmosfera do planeta, detalhes das erupções vulcânicas que ocorrem na lua Io e as características da longa "cauda" do campo magnético do planeta.   Os instrumentos da sonda observaram a formação de nuvens passageiras a partir da amônia que sobe, flutuando, vinda das camadas inferiores da atmosfera. Essas nuvens sobrevivem por, no máximo, 40 horas.   Também foram medidas as gigantescas ondas que percorrem a atmosfera de Júpiter, sinais de violentas tempestades nas camadas inferiores. Essas ondas, avistadas pela primeira vez pelas sondas Voyager, nos anos 70, se deslocam com muito mais velocidade do que previam os modelos teóricos.   Como a origem das ondas e das nuvens de amônia localiza-se abaixo da camada superior de nuvens do planeta, cientistas esperam que as novas medições feitas pela New Horizons possam servir de janela para a dinâmica de uma parte da atmosfera que não é acessível à observação direta.   A detecção de relâmpagos nos pólos mostra que diferenças marcantes na temperatura interna de Júpiter induzem evaporação e condensação de água em todas as latitudes do planeta.   Cientistas detectaram, ainda, diferenças entre os hemisférios noturno e diurno de Júpiter no que diz respeito à "auréola" do planeta - o brilho provocado pela interação das camadas mais elevadas com o vento solar.   "As interações entre a alta atmosfera de Júpiter e o ambiente espacial próximo são variáveis e mal compreendidas. Observações extensivas do lado diurno não servem como guia do que ocorre à noite", diz um dos artigos produzidos para a Science.   A New Horizons conseguiu, ainda, as primeiras fotografias em close-up da Pequena Mancha Vermelha, uma tempestade recém-nascida que tem cerca de metade do tamanho da Grande mancha, um fenômeno climático maior que a Terra, e que perdura há séculos.

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