he Russian Direct Investment Fund (RDIF)/Handout via REUTERS
he Russian Direct Investment Fund (RDIF)/Handout via REUTERS

Rússia diz ter começado a produzir vacina para o coronavírus

Ministério da Saúde russo espera produzir 5 milhões de doses da Sputnik V até dezembro deste ano, que é questionada pela comunidade científica sobre sua eficácia

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2020 | 11h12
Atualizado 18 de agosto de 2020 | 16h10

O governo da Rússia disse já ter produzido o primeiro lote de sua controversa vacina para a covid-19, de acordo com a agência de notícias Interfax. A reportagem cita como fonte o Ministério da Saúde do país neste sábado, 15, horas depois que o órgão anunciou o início da fabricação.

Alguns cientistas disseram temer que, com a rápida aprovação regulatória, Moscou esteja colocando o prestígio nacional antes da segurança em meio à corrida global para desenvolver uma vacina contra a doença.

A Rússia disse que a vacina, a primeira para o coronavírus a entrar em produção, será lançada até o final deste mês.

O país decidiu aprovar o produto antes da realização de testes que deveriam envolveriam milhares de participantes, comumente conhecidos como ensaios de fase 3, para checar a eficácia do produto. Esses ensaios são etapas essenciais para garantir tanto a segurança quanto se a vacina funciona contra a doença. Informações iniciais apontam que o produto foi testado somente em 38 pessoas testadas até agora, mas os resultados do teste não foram publicados.

A vacina foi batizada Sputnik V, em homenagem ao primeiro satélite do mundo lançado pela União Soviética. O presidente Vladimir Putin, sem apresentar nenhum resultado científico, afirmou ao público que ela é segura. Como "prova", ele disse que uma de suas filhas teria testado a droga na condição de voluntária e sentido-se bem.

Responsável pela distribuição da vacina, o Instituto Gamaleya, de Moscou, disse anteriormente que a Rússia estaria produzindo cerca de 5 milhões de doses mensais da droga até dezembro e janeiro, de acordo com a agência Interfax.

Na quarta-feira, 12, o governo do Paraná anunciou um acordo com a Rússia para auxiliar no desenvolvimento de uma eventual vacina contra a covid-19. A partir do memorando, o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) deve estreitar os laços com o Instituto Gamaleia de Moscou, que lidera o desenvolvimento da Sputnik V. O Estado ainda não teve acesso aos resultados dos testes clínicos realizados pela Rússia e países aliados.  

No mesmo dia, a Embaixada da Rússia no Brasil também afirmou negociar um acordo sobre a vacina com o governo da Bahia. Em nota, a Embaixada informou que, em 30 de julho, o chanceler russo, Sergey Akopov, participou de uma videoconferência com o governador baiano e presidente do Consórcio do Nordeste, Rui Costa, e o secretário de Saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas.

O tema da conversa foi uma possível parceria entre as instituições de pesquisa baianas e os centros científicos russos nos testes e produção do imunizante. Foi discutida também a possibilidade de outros estados da região se juntarem à negociação. / REUTERS

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