he Russian Direct Investment Fund (RDIF)/Handout via REUTERS
he Russian Direct Investment Fund (RDIF)/Handout via REUTERS

Rússia diz ter concluído testes clínicos de segunda vacina contra covid-19

País aprovou a regulamentação da primeira em agosto; anúncio de avanço do novo imunizante foi feito por órgão de defesa do consumidor russo, mas na lista da OMS, vacina ainda está em fase 1

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2020 | 05h04

A Rússia diz ter finalizado os testes clínicos de uma segunda vacina contra a covid-19, desenvolvida pelo Instituto Vector, centro de pesquisa em virologia e biotecnologia da Sibéria. Segundo a agência de notícias RIA, o anúncio foi feito nesta quarta-feira, 30, pelo Rospotrebnadzor, órgão de defesa do consumidor e bem-estar do país.

Segundo o governo russo - que pretende registrar a vacina até 15 de outubro -, o laboratório completou a fase 2 de testes, de um total de três, no início deste mês. O imunizante, conhecido como EpiVacCorona, é desenvolvido com antígenos peptídicos em uma plataforma elaborada, inicialmente, para estudos referentes ao ebola

Apesar do anúncio, o relatório mais recente da Organização Mundial de Saúde (OMS), da última segunda-feira, 28, aponta que essa segunda vacina russa contra a covid-19 está em fase 1. De acordo com o documento da OMS, esta etapa de testes clínicos teria envolvido 14 homens e mulheres com idades entre 18 e 30 anos. Já a fase 2 seria um ensaio cego, controlado por placebo, e incluiria 86 pessoas na faixa etária entre 18 e 60 anos.

Sputink V

Além da EpiVacCorona, a Rússia já havia aprovado a regulamentação, em agosto, da Sputink V. Já em setembro, um grupo de pacientes que participou de um estudo preliminar da vacina desenvolvida pelo Instituto Gamaleya criou resposta imune sem efeito colateral sério, de acordo com a revista The Lancet. Os resultados dos dois testes da Sputnik, conduzidos em junho-julho deste ano e envolvendo 76 participantes, mostraram que 100% deles desenvolveram anticorpos para a doença.

De acordo com a The Lancet, os testes iniciais sugeriram que a vacina Sputnik V produziu uma resposta em um componente do sistema imunológico conhecido como células T. Os cientistas têm examinado o papel desempenhado por elas no combate ao novo coronavírus, com descobertas recentes mostrando que essas células podem fornecer proteção de longo prazo do que os anticorpos.

No entanto, esses resultados preliminares não provam que a vacina protege efetivamente contra a infecção por covid-19, já que outros estudos são necessários, afirmam especialistas. A Rússia afirma que 40 mil pessoas devem participar do estudo de fase 3 e os resultados iniciais dessa etapa são esperados para outubro ou novembro deste ano.

Vacinas no mundo

Em seu relatório mais recente, a OMS também informou que há 191 vacinas sendo desenvolvidas para combater o novo coronavírus. Dessas, 40 estão em avaliação clínica, ou seja, iniciaram os testes em seres humanos. Sendo que dez estão na fase 3, a última antes da conclusão. São cerca de cem mil voluntários, por enquanto, que vão receber as doses. As outras 151 estão em um momento inicial, de identificar o agente causador e realizar testes em animais, como camundongos, por exemplo.

Por ser o terceiro país com mais infectados no mundo e também ter laboratórios de referência, o Brasil tem sido bastante requisitado para auxiliar no desenvolvimento de algumas dessas vacinas. Quatro vacinas que iniciaram a fase clínica estão sendo testadas aqui no País: a da Universidade de Oxford em parceria com a AstraZeneca e a Fiocruz (inglesa), a da Sinovac em parceria com o Instituto Butantã (chinesa), a da BioNTech/Pfizer (alemã/americana) e, mais recentemente, a desenvolvida pela Janssen Pharmaceuticals (belga/americana), do grupo Johnson & Johnson.

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