Rússia lança sonda para recolher poeira de lua de Marte

A Rússia lançou sua primeira missão interplanetária em mais de duas décadas na quarta-feira (horário local), voando em direção ao Planeta Vermelho com a ambiciosa tarefa de trazer de volta uma amostra da lua marciana Fobos.

ALISSA DE CARBONNEL, REUTERS

08 de novembro de 2011 | 21h59

A sonda Fobos-Grunt, de 5 bilhões de rublos (163 milhões de dólares), decolou à 00h16 (18h16 de terça-feira no horário de Brasília) da base de lançamento de Baikonur, no Cazaquistão, em um foguete Zenit-2SB, informou a agência espacial russa.

Se tiver sucesso, a viagem de três anos será a primeira de uma sonda soviética ou russa para Marte a cumprir plenamente sua missão no espaço profundo. A missão, no entanto, será assombrada por fracassos do passado, e se tornou um teste para a indústria espacial russa.

Quando, em 1996, a única tentativa da Rússia de chegar a Marte terminou na atmosfera depois de um lançamento mal sucedido, o incidente foi visto como a consequência de uma geração de cientistas sem brilho e de orçamento apertado.

A poeira de Fobos, dizem os cientistas, poderia lançar luz sobre a gênese do sistema solar, enquanto os dados coletados em sua órbita poderiam ajudar a resolver mistérios duradouros como se o planeta mais próximo da Terra já abrigou vida.

"Finalmente os seres humanos devem entender onde eles vivem, em que tipo de universo, e este é um passo em direção a isso", disse Alexander Degtyaryov, projetista-chefe da fabricante de foguetes Zenit, à televisão estatal russa antes do lançamento.

Os cientistas russos sonham em estudar a lua do Planeta Vermelho em forma de batata, que tem apenas 22 quilômetros de extensão, desde o auge das pioneiras incursões soviéticas ao espaço na década de 1960.

Mas de duas missões enviadas a Fobos em 1988, apenas uma chegou perto de alcançar seu objetivo, mas perdeu o contato com a Terra a poucos metros da superfície do mundo alienígena.

"Nós sempre tivemos muito azar com Marte", disse à Reuters o cientista-chefe da missão, Alexander Zakharov, do Instituto de Pesquisas Espaciais de Moscou.

Um dos primeiros de muitos desafios da complexa missão será o pouso na superfície de Fobos, com praticamente nenhuma gravidade para ajudar a guiar a sonda. O equipamento está equipado com propulsores especiais para pressioná-lo sobre a superfície da lua.

Os cientistas esperam que a Fobos-Grunt vai aterrissar em um local plano, livre de pedras que podem derrubá-la, e encontrar um terreno macio o suficiente para que seus braços mecânicos consigam recolher um pedaço da lua prateada.

"Nós não sabemos o suficiente sobre a superfície. Nós não sabemos como é plana, que tipo de rochas tem lá", disse Zakharov.

A sonda russa deve então decolar carregada de sujeira alienígena, navegar na órbita de Marte e em seguida voar de volta em segurança à Terra.

Sua entrada na atmosfera pode ser a parte da missão que mais fará os cientistas roerem as unhas. A nave vai confiar inteiramente em sua forma cônica para desacelerar sua descida. Um radar de solo irá acompanhar a sua chegada.

"É uma missão muito difícil precisamente porque tem muitas fases, e o sucesso de cada fase depende da anterior", disse Zakharov à Reuters.

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