Rússia não consegue contatar Phobos-Grunt; cientistas ainda tentam salvar sonda

Segundo fonte do setor aeroespacial russo, 'possibilidades de salvar a sonda são ínfimas'

Efe

11 de novembro de 2011 | 08h56

 

MOSCOU - As novas tentativas de estabelecer contato com a sonda interplanetária russa Phobos-Grunt, que permanece na órbita terrestre, não deram nenhum resultado, declarou nesta sexta-feira, 11, um representante do setor aeroespacial russo.

 

"Ontem à noite foram realizadas várias tentativas de receber informação do dispositivo. Todas terminaram sem resultado. As possibilidades de salvar a sonda são ínfimas", disse a fonte, que pediu anonimato, à agência "Interfax".

 

A fonte acrescentou que durante o dia de hoje continuarão os esforços para estabelecer contato com a Phobos-Grunt com ajuda das estações de acompanhamento da Nasa (agência espacial americana) e da Agência Espacial Europeia que se encontram na América do Sul e na Austrália.

 

A Phobos-Grunt, lançada nesta terça-feira de Baikonur, devia chegar a Marte, mas uma falha ainda não esclarecida deixou a sonda, de 13,5 toneladas de massa, perdida na órbita terrestre.

 

A Roscosmos (agência espacial russa) declarou que há possibilidades de recuperar o aparelho, já que este conserva todo seu combustível e seus acumuladores não se esgotaram.

 

Os especialistas de terra têm alguns dias, segundo alguns analistas, ou inclusive várias semanas, na opinião de outros, para reaver a Phobos-Grunt. Caso contrário, a sonda se transformará em lixo espacial e cairá de maneira descontrolada na Terra.

 

O lançamento da Phobos-Grunt devia marcar o início de uma missão de 34 meses que incluía o voo a Phobos, uma das duas luas de Marte, o pouso em sua superfície e, finalmente, o retorno à Terra de uma cápsula com 200 gramas de amostras do solo do satélite marciano.

 

O projeto, com um custo de US$ 170 milhões, tinha como objetivo estudar a matéria inicial do sistema solar e ajudar a explicar a origem de Phobos e Deimos, a segunda lua marciana, assim como dos demais satélites naturais do sistema solar.

 

Os cientistas russos sonham em estudar o satélite em forma de batata desde o auge das pioneiras incursões soviéticas ao espaço na década de 1960. A poeira de Phobos, dizem, irá conter pistas para a formação dos planetas do sistema solar e ajudar a esclarecer mistérios duradouros de Marte, incluindo se ele é ou já foi adequado para a vida.

A Rússia manteve cosmonautas em órbita durante a década de 1990 e é agora o único país com o ofício de transportar as tripulações da Estação Espacial Internacional. No entanto, o último voo interplanetário de Moscou foi em 1988 - antes do colapso de 1991 da União Soviética.

Aquela missão foi a segunda de duas sondas soviéticas Phobos a falhar, perdendo o sinal a 50 metros da superfície prateada da lua. Em 1996, uma sonda russa para Marte pegou fogo em um lançamento que deu errado.

Enquanto isso, os Estados Unidos já registraram centenas de horas de imagens em Marte, Índia e China enviaram sondas para a lua da Terra e o Japão visitou um asteroide e trouxe amostras.

Depois de tão longa ausência, a missão Phobos-Grunt tornou-se um teste da indústria espacial da Rússia após uma geração de orçamentos limitados. A perda de uma oportunidade de lançamento para a missão em 2009 foi vista como a razão pela qual o ex-chefe da Lavochkin perdeu o emprego.

Este ano, o novo chefe da agência espacial russa disse que Moscou supervalorizou os voos espaciais tripulados e deveria mudar o foco para projetos com maior retorno científico e tecnológico. "Este é realmente um projeto muito difícil, se não o mais difícil interplanetária até agora", disse o cientista Alexander Zakharov, por trás de uma pilha de papéis bagunçados e de uma maquete de Phobos no Instituto de Pesquisas Espaciais de Moscou.

"Nós não temos uma expedição interplanetária bem-sucedida há mais de 15 anos. Nesse tempo, as pessoas, a tecnologia, tudo mudou. É tudo novo para nós, de muitas maneiras estamos trabalhando a partir do zero", disse.

(Com Reuters)

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