Rússia suspende lançamentos de foguetes Soyuz após queda do Progress

A Nasa negou que a perda do cargueiro vá afetar a tripulação da Estação Espacial Internacional

Efe

25 Agosto 2011 | 08h12

 

MOSCOU - A Rússia suspendeu os lançamentos dos foguetes Soyuz após a perda do cargueiro espacial Progress M-12M, informaram nesta quinta-feira, 25, fontes da indústria espacial russa. "Tomou-se a decisão de suspender os lançamentos dos foguetes cargueiros Soyuz até que se esclareçam as causas do acidente", disse um representante do setor, citado pela agência de notícias russa "Interfax".

 

O lançamento de um satélite do sistema de navegação GLONASS, a alternativa russa ao GPS americano, também foi cancelado. "Foi tomada a decisão de retirar o foguete (portador Soyuz-2) da rampa de lançamento", afirmou em entrevista coletiva Oleg Ostapenko, comandante das Forças Espaciais da Rússia, citado pelas agências russas.

 

O lançamento do satélite terá realizado previsivelmente na primeira semana de setembro, precisou Ostapenko e acrescentou que serão realizadas inspeções de todos os equipamentos do foguete e também da sua documentação.

 

O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, ordenou nesta quinta-feira a Roscosmos, a agência espacial russa, reforçar os controles de qualidade na fabricação de aparelhos espaciais e seus componentes, especialmente antes de seu lançamento.

 

O Progress, com cerca de três toneladas de carga, tinha como destino a Estação Espacial Internacional (ISS) e se acidentou nesta quarta-feira na república russa de Altaica, no sul da Sibéria, pouco após ser lançado da base de Baikonur (Cazaquistão).

 

A suspensão dos lançamentos dos Soyuz ocorre dois dias depois de a Roscosmos (agência espacial russa) anunciar medida semelhante a respeito dos foguetes cargueiros Proton e dos blocos aceleradores Briz-M. A decisão foi adotada após a fracassada operação que visava colocar em órbita o satélite de telecomunicações Express-AM4.

 

O Express-AM4 - fruto da colaboração entre a companhia europeia Astrium e o Centro Khrunichev de produção aeroespacial da Rússia - foi lançado com sucesso no último dia 18, mas ficou situado fora da órbita prevista.

 

Anteriormente, neste mesmo ano, a Rússia já havia perdido um satélite militar geodésico depois que o aparelho entrou em órbita elíptica e não circular, como previsto.

 

Nasa e ISS. A Nasa (agência espacial americana) nega que a perda do cargueiro Progress afete a tripulação da ISS. Mike Suffredini, diretor do projeto da Estação, disse em entrevista coletiva que estão avaliando os possíveis cenários para os próximos lançamentos mas que não estão preocupados, já que a estação está em boa condição logística.

 

Em julho, a ISS recebeu a visita da nave americana Atlantis que, em sua última missão antes ser desativada, levou mais de 4 toneladas de provisões e equipamentos, sendo mais de 1 tonelada de alimentos.

 

"Infelizmente, 325 segundos depois (cerca de 5 minutos), o motor parou por um avaria e o centro de controle russo deixou de receber sinal", explicou Suffredini. O americano ressaltou que esta é a primeira vez que se registra uma falha nos motores do foguete Soyuz-U.

 

A ISS é um projeto internacional no qual participam 16 países e, após o acidente, as agências espaciais terão que reestruturar a logística do laboratório orbital, no qual atualmente vivem seis tripulantes, assim como as próximas viagens agendadas.

 

O lançamento de uma Soyuz com três astronautas, incluindo um americano a bordo está previsto para 21 de setembro, mas a investigação aberta depois do acidente "poderia ter implicações para o lançamento da nave", disse Suffredini.

 

A Nasa está estudando diferentes cenários e o especialista apontou inclusive a possibilidade de reduzir as quantidades de comida dos astronautas caso tivessem dificuldade para transportar as provisões. No entanto, insistiu que isso é pouco provável depois da carga levada por Atlantis em julho.

 

Além disso, se espera que a rotação da tripulação continue com seu ritmo habitual com as próximas Soyuz, embora pudessem estender temporariamente o período de estada dos seis astronautas, caso que tenham que ajustar as próximas missões.

 

Após a retirada das naves, de 30 anos de serviço, os Estados Unidos ficaram sem um veículo próprio para viajar à ISS e dependendo das naves russas, que realizam várias viagens por ano para levar oxigênio, combustível, alimentos e diversos equipamentos.

 

Enquanto isso, nos EUA começou a corrida espacial privada e 10 empresas disputam para ser a primeira a desenvolver um veículo alternativo privado.

 

Uma delas é SpaceX, cuja cápsula Dragon, deve fazer um voo de demonstração em novembro, com uma carga de 800 quilos, segundo lembrou Suffredini. "Nosso desejo é ter um veículo de carga americano o mais rápido possível, após a retirada das naves".

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