REUTERS/Rahel Patrasso
REUTERS/Rahel Patrasso

Saiba como usar as máscaras N95 e PFF2

Movimentos para divulgar modelo de proteção contra o novo coronavírus ganham força nas redes sociais

Paula Felix, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2021 | 10h00
Atualizado 11 de junho de 2021 | 09h19

Movimentos de divulgação sobre as máscaras PFF2 (da sigla Peça Semifacial Filtrante), também conhecidas como N95, vêm ganhando força nas redes sociais. Divulgadores científicos abordam a importância do uso do modelo em situações de risco de exposição ao vírus, não só por profissionais de saúde. Agora têm surgido páginas que se dedicam a tirar dúvidas, explicar como reconhecer uma máscara verdadeira e até indicar onde comprá-la sem cair nos preços abusivos que já estão sendo praticados na internet.

Desde dezembro do ano passado, a antropóloga e doutoranda em Saúde Coletiva na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Beatriz Klimeck, de 24 anos, é uma das administradoras do perfil "Qual Máscara?" no Twitter e no Instagram, que contabilizam 59,5 mil e 227 mil seguidores, respectivamente.

"Na época das eleições, comecei a explicar porque tinha parado de usar máscara de tecido e começado a usar a PFF2. Começou no meu perfil pessoal, mas resolvi separar e fazer um perfil. O foco é no Instagram, onde a gente consegue passar as imagens, deixar um link para baixar para que as pessoas possam compartilhar no grupo do WhatsApp", conta ela.

A atuação como pesquisadora ajuda a separar informações científicas das fake news e a fazer uma tradução dos conteúdos científicos para o público leigo. "Também faço mestrado em Divulgação Científica. Assim, a gente aprende o que é informação de qualidade. Temos o presidente da República (Jair Bolsonaro) falando que máscara faz mal, vamos atrás de cientistas, traduzimos manuais em inglês."

Ela e o companheiro, o mestrando em Comunicação Ralph Rocha, chegam a se dedicar seis horas por dia respondendo perguntas das pessoas que estão em busca do Equipamento de Proteção Individual (EPI).

Pouco antes do carnaval, o empresário Bruno Carvalho, de 30 anos, começou a ver posts no Twitter sobre máscaras PFF2. Conversou com a usuária e assim começou o "PFF para Todos", um site que explica como usar o EPI e mostra pontos de venda online e em lojas físicas, separados por Estado. No Twitter, a página já tem mais de 30 mil seguidores. A iniciativa também tem um perfil que divulga máscaras em promoção, marcas disponíveis no mercado brasileiro e orientações para usar o produto. O "Estoque PFF" tem 70,6 mil seguidores.

"Tivemos a ideia de colocar as informações em um site na terça de carnaval. A gente viu que as pessoas estavam carecendo de informações e começou a explicar como identificar. O que a gente gostaria é que os governantes estivessem comprando e distribuindo para a população."

Carvalho não atua na área de Saúde nem é do ramo de EPIs."Somos do campo do Direito. Hoje, com todos os problemas que estamos tendo com vacinas, o que temos de mais seguro são as máscaras. Vemos muitos divulgadores científicos. A gente se vê como ativista da proteção respiratória."

Segundo o idealizador do site, a varredura em lojas de material de construção e de EPIs, onde o modelo costuma ser vendido, já mostrou a unidade até por R$ 1,70. Uma busca na internet também pode levar a locais que vendem por até R$ 90 a unidade.

O problema é quando o produto não é certificado ou não é uma PFF2 verdadeira. "Não pode ter costura com linha, tem de ser selada, não pode dizer que é lavável, porque não pode ser lavada. O elástico prende atrás da cabeça, não na orelha. A pessoa tem de encontrar o selo do Inmetro, tem de ter o CA (Certificado de Aprovação), que pode ser consultado online. E não precisa estar escrito N95, o termo correto é PFF2", explica Beatriz.

Orientação é não fazer estoque 

Desde janeiro, diante do cenário de circulação de novas variantes do novo coronavírus, países europeus, como a Alemanha, passaram a exigir o uso de máscaras profissionais pela população em locais públicos e com grande circulação de pessoas. Segundo especialistas, a PFF2 é mais eficaz para evitar a infecção por aerossóis.

Pós-doutorando na Faculdade de Medicina na Universidade de Vermont (EUA), o físico e membro do Observatório Covid-19 Vitor Mori diz que a máscara PFF2 deve ser usada por pessoas que têm de trabalhar em locais fechados ou que enfrentam o transporte público lotado diariamente, mas que não é necessário nem correto fazer grandes estoques do modelo em casa.

"Tem de tomar cuidado para que não falte para os profissionais de saúde. A máscara PFF2 é a última linha de defesa para quem realmente não pode evitar de ir para locais fechados, para quem tem de pegar o transporte público todos os dias, como atendente da farmácia e caixa do supermercado, que é um trabalhador essencial."

Mori explica que as pessoas podem usar a máscara de tecido para exercícios ao ar livre e com distanciamento social ou para passear com o cachorro. "Mas, neste momento crítico da pandemia, se a pessoa puder ficar em casa, o ideal é ficar o máximo que puder."

Fora da situação da pandemia, essas máscaras seriam descartáveis. No entanto, segundo Mori, elas podem ser reutilizadas enquanto estiverem sem danos. "Se a manta filtrante estiver em bom estado, a máscara sem nenhum rasgo e com o elástico em boas condições, ela pode ser usada novamente."

A recomendação é deixar a máscara em local arejado por, no mínimo, três dias após o uso. Essa máscara não pode ser lavada nem higienizada com álcool. O uso correto é importante para que a máscara realmente proteja a pessoa.

"Depois de ajustar os tirantes elásticos e o clipe nasal, é preciso fazer um teste de verificação de vedação. A pessoa deve cobrir a maior área possível da máscara com as mãos, inspirar e expirar. Não pode ter passagem de ar." Para quem usa barba, a vedação não é garantida. Logo, é necessário remover os pelos faciais.

Infectologista, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Raquel Stucchi explica que a máscara PFF2 pode ser usada em situações como voos de avião - algumas empresas aéreas não permitem embarque com máscaras de tecido ou com válvulas -, mas diz que seu uso não é necessário para a população em geral.

"Mesmo com as novas variantes, o vírus não mudou de tamanho e a transmissão principal é por gotículas. As máscaras de tecido, no dia a dia, conseguem barrar transmissão do vírus. A máscara N95 é recomendada para quando tem aerossol, como no atendimento de um paciente que está no respirador, na UTI, e quando a gente vai colher o exame do swab nasal."

Ela destaca que a população deve reconhecer a importância da proteção com máscaras e continuar fazendo o uso mesmo com a imunização. "A gente deve sempre usar máscaras. As de algodão, com dupla camada, são suficientes. E mesmo as pessoas vacinadas devem usar máscaras", alerta Raquel. 

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