Guillaume Souvant/AFP
Guillaume Souvant/AFP

Vacina contra a covid-19: o que se sabe até agora sobre reações aos imunizantes

Pouco mais de cinquenta países já iniciaram imunização contra a doença; efeitos adversos estão sendo monitorados

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2021 | 12h00

O anúncio de reações provocadas em pessoas que foram vacinadas contra a covid-19 pode gerar preocupações entre a população que está ansiosa para se proteger contra o novo coronavírus. É comum que imunizantes - para qualquer doença - causem reações leves, como dor no local da aplicação ou febre passageira. O mesmo acontece com os contra a covid-19 aprovados até o momento em diversos países do mundo que, ao contrário do Brasil, já iniciaram a imunização

Mas, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), “é muito mais provável que uma pessoa adoeça gravemente por uma enfermidade evitável pela vacina do que pela própria vacina”. No entanto, assim como em todas as outras vacinas, é necessário se informar sobre os grupos para os quais um imunizante não é recomendado. No caso da vacina da Pfizer contra a covid-19, pessoas com histórico de alergias severas devem evitar receber o imunizante.

A China foi o primeiro país a iniciar uma campanha de vacinação reservada aos mais vulneráveis. A Rússia começou em 5 de dezembro do ano passado a imunizar trabalhadores da área de risco com a Sputnik V. E no dia 8 de dezembro, o Reino Unido se tornou a primeira nação ocidental a aprovar uma vacina para a covid-19 e iniciar a imunização.

As vacinas, assim como medicamentos, podem causar reações anafiláticas ou outras reações alérgicas, mesmo em pessoas que não têm histórico de reações alérgicas. Eventuais efeitos adversos podem ser observados principalmente no caso de novas vacinas que chegam ao mercado. Casos foram reportados por reações apresentadas em pacientes também durante a fase de testes das imunizações.

Confira a seguir reações que apresentaram pessoas vacinadas contra a covid-19 no mundo:

Pessoas com histórico de alergias graves não devem tomar vacina da Pfizer, diz Reino Unido

Órgãos reguladores do Reino Unido afirmaram, em 9 de dezembro, que pessoas com um "histórico significativo" de reações alérgicas não deveriam receber a vacina contra a covid-19 da Pfizer/BioNTech. A restrição foi indicada para pessoas com histórico anterior semelhante à anafilaxia, reação alérgica grave e de rápida progressão que pode provocar a morte, ou pessoas que precisam carregar adrenalina autoinjetável, recomendada para controlar casos em que a crise alérgica evolui de forma rápida e aguda.

Entenda o que houve no caso da reação alérgica à vacina da Pfizer no Reino Unido

Duas pessoas que receberam a vacina da Pfizer no Reino Unido desenvolveram uma reação alérgica grave ao imunizante, de acordo com informações divulgadas pelas autoridades britânicas no início de dezembro do ano passado. Os órgãos reguladores investigam o caso e decidiram restringir a aplicação das doses em pessoas com históricos de reações igualmente graves. A reação alérgica pode ter sido causada por um componente do imunizante chamado polietilenoglicol (PEG), que auxilia na estabilização da dose e não está presente em outros tipos de vacina.

Órgão dos Estados Unidos confirma seis reações alérgicas graves causadas pela vacina da Pfizer

Seis pessoas desenvolveram uma reação alérgica grave chamada de anafilaxia após receberem a vacina contra a covid-19 feita pela Pfizer e BioNTech, disse o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), no dia 19 de dezembro do ano passado.

Profissional de saúde sofre reação alérgica após receber vacina da Pfizer nos EUA

Um profissional de saúde do Alasca, nos Estados Unidos, sofreu uma reação alérgica severa após receber a vacina contra a covid-19 da Pfizer-BioNTech e agora está hospitalizado, mas estável, de acordo com um relatório divulgado em 16 de dezembro. No geral, os testes não encontraram problemas sérios de segurança, mas os reguladores e a empresa continuam a monitorar os casos adversos após a vacinação.

Médico distorce dados sobre efeitos colaterais para desacreditar estudos da Coronavac

Pediatra Anthony Wong tira do contexto índice de efeitos adversos brandos do imunizante pesquisado pelo Instituto Butantã. O especialista explica que os resultados observados não indicam anormalidade.

Morte de voluntário não está relacionada a alterações neurológicas causadas por vacina

É enganoso que a morte de um voluntário de testes da vacina Coronavac esteja relacionada a alterações neurológicas causadas pelo imunizante. A possibilidade foi levantada em um post no site Estudos Nacionais, que especula que a vacina poderia ter causado “danos psíquicos graves”. Especialistas dizem que não há comprovação na literatura médica de que um imunizante possa causar danos neurológicos. 

Médico morreu de covid-19, e não por efeitos adversos da vacina de Oxford

É falso que o médico João Pedro Rodrigues Feitosa, voluntário no ensaio clínico da vacina de Oxford, tenha sido “vítima da vacina”, como afirmou o enfermeiro Anthony Ferrari Penza em uma transmissão ao vivo pelo Facebook. De acordo com o atestado de óbito do jovem, obtido pelo Comprova, ele faleceu em decorrência de uma pneumonia viral causada pela covid-19.

Coronavac teve apenas efeitos colaterais leves; é falso que voluntários tenham morrido

É falso que a Coronavac, vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac com apoio do Instituto Butantan, tenha matado mais de 2 mil voluntários e que altere o DNA das pessoas, como sugere uma imagem que circula pelas redes sociais. Também é inverídico que as vacinas desenvolvidas pela Pfizer e pela Moderna tenham como objetivo causar graves danos neurológicos e, assim, matar a população em massa. Todas estas afirmações foram divulgadas pela mesma página em um post no Facebook e em uma publicação no Telegram./Colaborou Renata Okumura

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