Salário alto não basta para atrair médicos ao Amazonas

Salários de até R$ 12,5 mil para médicos estão sendo oferecidos por duas prefeituras do Amazonas há quase um mês em jornais locais, mas até agora não houve interessados nas mais de 20 vagas. Para tentar preenchê-las, os prefeitos de Coari, a 370 quilômetros de Manaus, e de Parintins, a 325, vão publicar nas próximas semanas anúncios em jornais de circulação nacional. "Há um preconceito muito grande com o interior. Os alunos formados na Universidade do Amazonas só ficam na capital ou vão para outros Estados. Por isso temos de buscar fora", reclama o médico e secretário de Saúde de Parintins, Francisco Tussolini. A partir de 2007, segundo ele, as três faculdades de medicina em Manaus devem formar cerca de 200 médicos todos os anos. "Mas é mais fácil um paulista querer trabalhar no interior do Amazonas do que um amazonense." Segundo ele, foram abertas 12 vagas para clínicos e especialistas. O clínico ou um recém-formado ainda sem residência ou especialização receberá salário de R$ 4,6 mil da prefeitura mais R$ 5,3 mil do Estado. O especialista receberá o mesmo valor do Estado mais R$ 5,7 mil da prefeitura. "Os cirurgiões receberão mais R$ 1,5 mil para ficar de sobreaviso." Segundo o secretário, Parintins, que tem cerca de 110 mil habitantes, conta com apenas 30 médicos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta como número aceitável um médico para cada mil habitantes. Em Manaus, com 1,7 milhão de habitantes, a proporção é de um profissional para cada 500 habitantes, enquanto em Coari, há um para cada 3.290 moradores. O município tem apenas um pediatra. Estão sendo oferecidos salários de R$ 11,5 mil para um cirurgião-geral, um urologista, dois pediatras, um radiologista, um anestesista e um ortopedista. Outras seis vagas de R$ 7,5 mil são para clínicos gerais.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.