Divulgação
Divulgação

Salmonelas podem ser usadas para combater infecções, aponta estudo

Pesquisa realizada nos EUA mostra que bactéria pode ser geneticamente modificada para tratamento

Agência Fapesp,

08 Fevereiro 2011 | 17h02

SÃO PAULO - Salmonelas são bactérias muito conhecidas por causarem intoxicação alimentar e problemas como diarreia, gastroenterite e septicemia. Apesar disso, a presença de salmonela no intestino é comum e nem todos os subtipos da bactéria causam problemas intestinais - ao contrário disso, um estudo realizado na Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos Estados Unidos, mostra que a salmonela pode ser usada para combater infecções.

 

Em artigo que será publicado nesta semana na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, os cientistas descrevem como usaram a salmonela para transportar enzimas preparadas para combater o vírus até determinadas células. Tudo feito de modo seguro e sem causar complicações. A novidade funcionou em camundongos infectados com citomegalovírus - tipo de vírus da herpes comum em regiões pobres - em uma solução oral que não precisou ser injetada.

 

"Um número de vacinas, entre as quais contra poliomielite e varíola, usam vírus vivos, mas enfraquecidos, para fortalecer o sistema imunológico. Essa é a primeira vez, porém, que se consegue modificar geneticamente uma bactéria para o tratamento de uma infecção viral", disse Fenyong Liu, um dos autores do estudo.

 

Os pesquisadores usaram a salmonela por se tratar de um organismo que sobrevive ao sistema digestivo humano, o que permite ser usada de modo oral, mais conveniente de ser administrado do que se inalada ou injetada. O grupo usou uma linhagem da salmonela atenuada e conhecida como segura, que também é usada na vacina para febre tifoide. Como a salmonela invade facilmente as células, os cientistas usaram o organismo para transportar ribossomos capazes de bloquear a atividade genética do citomegalovírus.

 

No estudo, os camundongos que receberam os ribossomos transportados pela salmonela viveram duas vezes mais do que os outros também infectados mas que não ingeriram a bactéria. "O estudo se centrou no uso da salmonela e de ribossomos para combater infecções, mas, com mais estudos, esse método poderá ser usado eventualmente para tratar outras condições, entre as quais o câncer", disse Liu.

Mais conteúdo sobre:
salmonelaestudoiñfecções

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.