ALEX SILVA / ESTADÃO
ALEX SILVA / ESTADÃO

Salões de beleza terão de cumprir normas rígidas de atendimento na reabertura prometida para julho

Há 90 dias sem atender, estabelecimentos se modernizam com equipamentos, mobiliário e horários marcados para que não haja muitos clientes ao mesmo tempo no local

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2020 | 12h00

O clima de confraternização dos salões de beleza é coisa do passado, ao menos por enquanto. Fechados há quase 90 dias na cidade de São Paulo por causa da pandemia do novo coronavírus, a reabertura dos estabelecimentos é esperada pelo setor para o começo de julho. Na retomada, eles terão de cumprir rígido protocolo de regras de higiene que os aproximam da rotina de clínicas de atendimento.

Funcionários tirando a temperatura logo na entrada, após o cliente ter desinfetado o calçado, dão uma pista do que é possível encontrar dentro do salões de beleza nesses novos tempos. Há redes que separam as estações de trabalho, agora a dois metros de distância umas das outras, por divisórias de acrílico. Novos produtos de higienização que incluem as escovas de cabelo, além das máscaras cirúrgicas, luvas e outros equipamentos de proteção individual (EPIs), como a máscara faceshield, fazem parte da cesta básica de cuidados.

A rotina também será diferente. O procedimento corriqueiro no passado de uma cliente ser atendida ao mesmo tempo pelo cabeleireiro e pela manicure está vetado. Nos tempos de pandemia, o atendimento é exclusivo, com hora marcada, o que antes era um luxo só para os VIPs.

“Antes da covid-19 já tínhamos um protocolo bem amplo”, afirma Papilla Ribeiro, master franqueada  da marca Jacques Janine e dona de quatro salões em São Paulo. Ela conta que a rede desenvolveu uma cartilha, setorizou cada área do salão e iniciou treinamentos online para os funcionários seguirem as novas regras. Os mais de 60 salões da marca foram adaptados ao novo atendimento. Nas suas contas, foram aplicados R$ 50 mil por salão para fazer as mudanças necessárias no layout e na compra de equipamentos para cumprir as novas regras.

“Desde abril o salão está adaptado”, conta o cabeleireiro Celso Kamura, dono de duas unidades Ckamura em São Paulo e uma no Rio, que planeja testar os funcionários antes de reabrir os salões. Ele acredita que esse recomeço com regras mais rígidas será saudável. Mas frisa que a retomada está sendo injusta. “Temos um salão preparado há dois meses, com cartilha de procedimentos e o que a gente vê é tumulto nas lojas de rua.”

José Augusto Nascimento Santos, presidente da Associação Brasileira de Salões de Beleza (ABSB), diz que o setor foi o primeiro que desenhou um protocolo para atuar em tempos de pandemia. Barbearias e salões de beleza foram incluídos na lista de setores essenciais pelo presidente Jair Bolsonaro, mas os governos estaduais e prefeituras não tiveram a mesma interpretação. “Todo mundo está de cabelo aparado e fazendo barba. É tapar o sol com a peneira dizer que o serviço não é essencial”, reclama o representante do setor.

O minucioso protocolo de procedimento desenhado pelo Sebrae com base nas regras da Organização Mundial da Saúde (OMS) pode, na opinião de Santos, ser simplificado e seguido pelo salões menores. “Não precisa ter divisória de acrílico entre as cadeiras, mas precisa ter distanciamento de um metro e meio entre elas”, observa.

Ele acha o protocolo factível e destaca que antes da pandemia os salões já seguiam os procedimentos recomendados pela Agência de Vigilância Sanitária (ANS), como autoclave para esterilização de materiais e manicures trabalhando de luvas. “Estamos acrescentado agora alguns novos procedimentos.”

Desafio. Na opinião do executivo, o maior desafio para o setor é redução das horas de trabalho e do atendimento. Nas cidades em que os salões foram reabertos, a queda no movimento foi de 70% a 80%. Dos 302 mil CNPJs ligados ao setor de beleza, que atuam como MicroEmpreendedores Individuais (MEIS) ou como pequenas e médias empresas no Estado de São Paulo, 15 mil já deixaram de funcionar definitivamente desde o início da pandemia. Isso corresponde a 45 mil trabalhadores do setor desocupados. 

“Esse número pode aumentar”, diz o presidente da ABSB, ponderando que o funcionamento em horário reduzido dos salões é um alento para a retomada da atividade.

Kamura concorda com Santos. Ele acredita que haverá  retração no movimento, mas pondera: “O mercado não vai acabar tão facilmente assim”, diz Kamura, argumentando que  todo mundo sabe que a imagem é importante e, por isso, as pessoas voltarão a buscar esses serviços. O cabeleireiro compara o momento atual com o período da Aids, quando as pessoas ficaram com medo de contaminação e evitaram os salões. “Na época da Aids, foi uma coisa horrível, mas depois tudo voltou ao normal”, lembra, na expectativa de que o quadro se repita.

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