Facebook/Bruno Reis
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Ao menos 20 capitais cancelam réveillon em meio a avanço da covid no exterior

Espalhamento da variante Ômicron, com casos confirmados no Brasil, preocupam gestores e autoridades; ao menos 20 capitais já cancelaram eventos de ano-novo. Prefeito do Rio anunciou cancelamento na manhã deste sábado

Ítalo Lo Re, João Ker, Leon Ferrari e Luiz Henrique Gomes, especial para o Estadão

29 de novembro de 2021 | 10h56
Atualizado 04 de dezembro de 2021 | 08h32

SÃO PAULO – Com a quarta onda da covid-19 na Europa e o avanço da variante Ômicron, ao menos 20 capitais brasileiras já cancelaram eventos públicos de Réveillon. Até a manhã deste sábado, 4, Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Cuiabá, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, João Pessoa, Natal, Palmas, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Luís, São Paulo, Teresina e Vitória anunciaram o cancelamento das festas de ano-novo. O Prefeito do Rio de Janeiro também anunciou o cancelamento da festa. 

Além das capitais citadas, Curitiba também não vai realizar festa de réveillon este ano. Entretanto, a prefeitura informou que não costuma celebrar a data com grandes eventos mesmo em períodos fora da pandemia. 

As decisões foram anunciadas após a Organização Mundial da Saúde (OMS) enviar aos governos um alerta em que aponta risco global “muito alto” da variante Ômicron. Entretanto, o alerta da OMS ressalva que há poucas evidências concretas sobre se a nova cepa é mais transmissível ou escapa das vacinas. 

A nova cepa do vírus, detectada pela primeira vez na África do Sul, impulsionou os planos de evitar aglomerações, que já ocorriam ao longo do mês – mais de 70 municípios paulistas já haviam desistido do carnaval. No Brasil, três casos de infectados pela Ômicron foram confirmados até quarta-feira, 1º.

Paulo Ziulkoski, presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) diz que, com ou sem Ômicron, “todos que puderem suspender aglomerações” devem adotar a medida. “Não podemos baixar a guarda”, defende. Levantamento da CNM, feito de 16 a 19 de novembro, aponta que, de 2.362 gestores ouvidos, 97,8% pretendiam continuar com a máscara obrigatória em locais privados e 88,6% disseram mantê-la em espaços públicos. 

Cancelamentos

Nesta quinta-feira, 2, a Prefeitura de São Paulo cancelou a festividade, por conta do avanço da variante Ômicron. A decisão do prefeito, Ricardo Nunes (MDB), foi baseada em um parecer da Vigilância Sanitária e confirmada ao Estadão em Nova York, onde ele cumpre missão oficial em conjunto com o governador João Doria (PSDB), a convite da InvestSP.

O prefeito de Cuiabá, no Mato Grosso do Sul, Emanuel Pinheiro (MDB), anunciou que vai editar decretos proibindo a realização de festas públicas e privadas de Réveillon e de Carnaval. Festejos familiares, no âmbito residencial, estão liberados. “Independentemente se ela (variante Ômicron) é mais agressiva ou menos agressiva, me parece que ela tem um poder de propagação muito rápido”, disse em coletiva de imprensa, na quarta-feira, 1º.

Pinheiro também informou que a cidade vai passar a cobrar passaporte de vacinação - mas, antes de publicar o decreto, vai conversar com o setor produtivo. A medida, segundo ele, será tomada por conta da nova variante e porque mais de 18 mil cuiabanos não tomaram nenhuma dose da vacina contra covid e outros 50 mil não retornaram para a segunda. 

“Diante das recentes notícias sobre o avanço da nova variante do vírus Covid-19, decidi cancelar as festas programadas para o Réveillon”, afirmou o governador de Brasília, Ibaneis Rocha (MDB), na terça-feira. O Distrito Federal cancelou todas as festas públicas para comemoração do Réveillon, que aconteceriam em cinco palcos descentralizados, com entrada da população que estivesse com o ciclo básico de vacinação concluído. 

Em Recife, a prefeitura garantiu a queima de fogos na orla da praia de Boa Viagem e espetáculos em outros quatro lugares. Entretanto, os tradicionais shows de fim de ano, que chegam a reunir cerca de 1 milhão de pessoas, estão cancelados. “Não haverá shows promovidos pela Prefeitura do Recife no Réveillon da nossa cidade”, disse o prefeito João Campos (PSB) nesta terça-feira.

“Diante da chegada de uma nova variante do coronavírus e do aumento de casos na Europa, estou tomando a decisão de cancelar o Virada Salvador deste ano”, escreveu o prefeito soteropolitano, Bruno Reis (DEM), nas redes sociais. O evento costuma reunir mais de 250 mil pessoas. Reis prevê adiar ao máximo a decisão sobre o carnaval – ele quer bater o martelo com o governador baiano, Rui Costa (PT). Pressionado por empresários do setor, Costa já sinalizou cautela. “Países estão fechando cidades quando aparecem cinco casos”, disse, no dia 18. 

Na sexta, o governo do Ceará informou o cancelamento da tradicional Festa da Virada, na Praia de Iracema, em Fortaleza. “Até chegamos a considerar a possibilidade de realizar nossa tradicional festa da virada, se a situação permitisse”, disse o prefeito José Sarto (PDT). “O cenário internacional é preocupante.”

Florianópolis vai ter queima de fogos, mas não shows musicais. Por outro lado, a capital catarinense prevê festividades natalinas, com público. O Estado suspendeu a exigência de máscaras em local aberto desde a semana passada. 

A Prefeitura de Natal, no Rio Grande do Norte, cancelou toda a programação do Réveillon. Os shows musicais na Redinha, a queima de fogos na Ponta Negra e na Ponte Newton Navarro, não vão mais acontecer.

Em Porto Alegre, o prefeito Sebastião Melo (MDB) cancelou a festa de Réveillon dos 250 anos da cidade, que ocorreria na Orla do Guaíba, junto à Usina do Gasômetro.

João Pessoa cancelou a festa, mas o acesso às praias está liberado. Belo Horizonte disse não planejar festa pública de réveillon. Guarujá, que já havia cancelado a virada, decidiu suspender o carnaval. 

Em avaliação 

O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), em coletiva de imprensa na segunda-feira, 29, disse que a gestão analisa a liberação das festas de ano-novo com “cautela”. Porém, a decisão pela realização ou não do evento deve ser anunciada entre os dias 10 e 12 de dezembro. 

O evento para o Réveillon, segundo Almeida, já está contratado e parcialmente pago, mas, se necessário, adiará a festividade. “Manaus sofreu muito no início desse ano e nós não queremos que isso retorne”, declarou.

Em Rio Branco a situação é semelhante, a decisão ainda não foi tomada. A Prefeitura declarou que aguarda o posicionamento do Comitê de Acompanhamento Especial da Covid-19 da cidade.

As festividades de ano-novo estão mantidas em Maceió. A Prefeitura da cidade informou, contudo, que a realização das festas "dependerá da situação sanitária do país com relação à covid e dos protocolos sanitários que estarão vigentes no período". "O Município segue ouvindo as instâncias sanitárias e, em caso de orientação contrária, voltará a debater a questão", disse em nota./COLABOROU SOFIA AGUIAR

 

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