Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Samu faz paralisação parcial e secretaria diz que ato é ilegal

Servidores criticam Plano de Descentralização proposto por Secretaria Municipal da Saúde e vão realizar assembleia às 14 horas; pasta diz que "tomou medidas jurídicas cabíveis"

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

01 de abril de 2019 | 10h44
Atualizado 02 de abril de 2019 | 11h49

SÃO PAULO - Uma paralisação parcial de funcionários do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) que atuam na cidade de São Paulo ocorreu nesta segunda-feira, 1º. A categoria é contra o Plano de Descentralização do serviço anunciado pela Secretaria Municipal da Saúde, que propõe a expansão do serviço de 58 para 75 pontos, mas com a extinção de 31 bases. A pasta diz que a mobilização é ilegal e que "já tomou as medidas jurídicas cabíveis"

Vice-presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindsep), João Gabriel Buonavita diz que o objetivo do ato é garantir o atendimento de qualidade à população. Ele afirma que o serviço não será interrompido durante a mobilização.

"A nossa preocupação é com as vidas. Com essa mudança, vamos ter equipes em regiões afastadas e de difícil acesso, em ruas estreitas e com circulação constante de pedestres, como acontece nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde). As ambulâncias precisam de agilidade."

Buonavita diz ainda que não são todas as unidades que têm estrutura para receber as equipes do Samu. "Muitas não têm espaço para higienização dos materiais e troca de roupa, porque é muito comum que os socorristas se sujem com sangue e secreções durante o atendimento. As unidades não foram preparadas para isso."

Ele afirma que, mesmo com a paralisação, o atendimento será mantido e que uma assembleia será realizada às 14 horas para definir os rumos da mobilização.

"A nossa orientação é para que se mantenha, no mínimo, 30% do efetivo. Vamos dialogar sobre a situação e a continuidade do movimento. A gente espera que o prefeito Bruno Covas e o secretário (municipal da Saúde) reconsiderem a medida." A categoria conta com cerca de 1.600 trabalhadores, segundo o sindicato.

Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde classificou o ato como "ilegal" e disse que "não medirá esforços para responsabilizar o sindicato e eventuais grevistas por qualquer dano causado à sociedade em função dessa paralisação."

A secretaria informou que o objetivo do Plano de Descentralização é "melhorar o atendimento à população, colocando mais funcionários na escala de serviço do Samu e, consequentemente, aumentando o número de ambulâncias rodando para atender as ocorrências".

A pasta diz que a interrupção do serviço, mesmo que parcial, "pode custar vidas humanas". Disse ainda que adotou medidas logísticas e de segurança para que os servidores possam trabalhar sem interferências.

Balanço

Na noite desta segunda, o Sindicato informou que a paralisação, que começou ao meio-dia, terminou às 19 horas e 30%  dos servidores do Samu participaram do ato. Os funcionários estão em estado de greve. Eles pretendem entregar uma pauta com reivindicações à Prefeitura nesta terça, 2, e solicitar uma audiência com a gestão municipal. Caso seja negada, planejam uma paralisação de 48 horas nos dias 9 e 10 de abril.

Já a Secretaria Municipal da Saúde disse que a operação do Samu foi normal ao longo do dia, e que aproximadamente 2% dos funcionários se ausentaram dos postos da escala de trabalho declarando adesão à greve. "Cabe esclarecer que a fase final do processo de descentralização das bases do Samu e integração do serviço à rede municipal de saúde está apenas começando. Seus resultados poderão ser avaliados no decorrer dos próximos meses", disse a secretaria. "Os problemas exaustivamente relatados e manipulados pelo sindicato são exatamente aqueles que a descentralização ataca, buscando a melhoria do serviço."

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